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O oprimido opressor

Sch­nei­der Car­peg­gi­ani pas­sou indig­nado pelo Twit­ter o ende­reço de uma comu­ni­dade do Orkut de pro­pa­ga­ção de ódio con­tra os nor­des­ti­nos.
Fiz ques­tão de entrar e pos­tar o seguinte comen­tá­rio no fórum:

Acho real­mente inte­res­sante esta comu­ni­dade, em que pes­soas se dedi­cam a pro­pa­gar o ódio por uma massa amorfa que deno­mi­nam ‘nor­des­ti­nos’. Con­si­dero o fato de rotu­lar um ser humano por conta da loca­li­za­ção geo­grá­fica de seu nas­ci­mento uma des­co­berta mag­ní­fica da civilização.

Não há por que per­der tempo argu­men­tando quão imbe­cil é o pró­prio con­ceito de euge­nia (se é que alguém na comu­ni­dade sabe do que se trata) ou falar da com­ple­xi­dade soci­o­ló­gica impli­cada na rejei­ção do imi­grante em terra estra­nha, não só no Bra­sil, mas em todo o mundo. Seria uma perda de tempo, eu sei.

Con­ti­nue lendo…


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Vari­a­ções do tema do outsider

Sou uma paté­tica vari­a­ção do tema do out­si­der.

Cada vez mais per­cebo isso. Eu cir­culo por ambi­en­tes que não são meus, que não sou eu, em que não sou. Não é lamú­ria por ter ori­gem humilde: é a cons­ta­ta­ção de que o uni­verso a que per­tenço é tão mais trans­pa­rente do que esse pelo qual me arrasto como um pedinte. Otelo é Otelo não pelo ciúme a Des­dê­mona. É-o por­que é um out­si­der: des­per­tou a inveja e a fúria de Iago. Suporto com difi­cul­dade os salões pela neces­si­dade de alcan­çar cer­tos obje­ti­vos que cada vez mais pare­cem menos meus. Uma piada de mau gosto. Eu sou rude, não tenho esse fino trato, esse sor­riso que esconde fúrias. Se me enfu­reço, fecha-se a cara, pronto. Calar, calar, espe­rar, bai­xar a cabeça. Isso não é algo que aprendi com meu pai. Sou um estran­geiro. Quero-me de volta, mas parece que meu rosto está escon­dido em alguma gaveta. A um amigo que disse que escre­via um conto com um per­so­na­gem base­ado em mim, um con­se­lho: se não for uma vari­a­ção do tema do out­si­der, não serei eu. E não tem que ser, na ver­dade. Qual o sen­tido de tudo isso, para que tudo isso? Ouço con­ver­sas sobre via­gens à Europa, ten­dên­cias da lite­ra­tura, pro­je­tos, edi­tais. Can­sado. Can­sado de remar con­tra uma maré de imbe­cis. Can­sado de ser um imbe­cil que acre­dita que pode fazer alguma coisa. Um estran­geiro. Num labirinto.


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Sobre cansaço e Marte em Leão

Tenho ficado cada vez mais can­sado da ‘vivên­cia lite­rá­ria’. Supor­tando — para ser oti­mista — ir a reu­niões inú­teis em que se fala sobre lite­ra­tura, sobre home­na­gens, polí­ti­cas públi­cas etc. É tudo um grande tea­tro, na ver­dade. E você fica ali obser­vando as pes­soas fala­rem, mas meio que aceita a farsa, aceita tudo. Estou can­sado. Que­ria poder só escre­ver, esque­cer disso tudo. Mas uma amiga astró­loga me disse que tenho um danado de um Leão em Marte que faz com que me vejam, de alguma forma cós­mica, como um líder. Acho que isso come­çou quando acei­tei ser o pre­si­dente da comis­são de fes­tas no ter­ceiro ano. Acho que ali me viciei com a lide­rança. Inferno.

Alguns edi­tais para ana­li­sar esta semana: aquela espe­rança de ganhar uma bolsa des­sas para ter uma vida mais tran­quila e poder escre­ver durante alguns meses sem cor­rer de uma aula para outra. Mas é tão chato ler esses edi­tais, escre­ver tudo, tirar cópias de cur­rí­culo etc.

Esta semana tam­bém pre­ciso rece­ber umas res­pos­tas que dita­rão meus pró­xi­mos meses. Uma ansi­e­dade daque­las de dar frio na bar­riga de pen­sar. Mas vou espe­rando, só não da mesma forma que fiquei espe­rando uma des­sas reu­niões cha­tas ‘sobre’ lite­ra­tura que tive dia des­ses. Quem eram aque­las pes­soas? Alguns ros­tos conhe­ci­dos, mas não via ali escri­to­res que fazem a cena além deles. Per­gunta maior: o que eu estava fazendo ali?

Creative Commons License photo cre­dit: Pimento Of Doom


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Parto de livros

Old Books by Photos8.com
Creative Commons License photo cre­dit: Photos8.com

Andei pen­sando de novo esses dias sobre a ges­ta­ção dos livros.

São crias estra­nhas, os livros, por­que seu nas­ci­mento não é algo linear, não é algo que con­tro­la­mos. Eu sinto que um livro nasce com uma voz, uma dic­ção, que per­ma­nece durante algum tempo com o escri­tor. Quando essa voz se vai, tudo o que se escreve soa falso, não per­tence mais àquele livro. Se você força a escre­ver, é como se esti­vesse intro­du­zindo um corpo estra­nho, um intruso. Poe­mas intru­sos têm outra voz, não cabem no livro. Ao escri­tor cabe espe­rar que a cen­te­lha ini­cial volte. Às vezes sim­ples­mente não volta, então sig­ni­fica que o livro aca­bou, que já deu o que tinha que dar. Acho que é o mesmo com qua­dros. Você pre­cisa saber quando parar, por­que se não acaba des­truindo a obra.


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Sobre a carne dos poetas e a alma imortal dos gabinetes

Não seria esse uso da influên­cia na esfera pública algo con­de­ná­vel para qual­quer pes­soa, inclu­sive — ou prin­ci­pal­mente — para nós, poetas?

Roberto Piva, para mim um dos mai­o­res poe­tas bra­si­lei­ros vivos, está nos cor­re­do­res do Hos­pi­tal das Clí­ni­cas, por­que não há quar­tos dis­po­ní­veis para interná-lo.

Na inter­net há uma grande movi­men­ta­ção para tirá-lo dali. Soube da notí­cia pelo blog Espe­lunca, do Ade­mir Assun­ção e logo em seguida repas­sei a notí­cia pelo Twit­ter, ten­tei entrar em con­tato com alguns escri­to­res de São Paulo por email, sem muito sucesso. No blog de Ade­mir e por alguns per­fis do Face­book, entre os pedi­dos de ajuda, insinuou-se que qual­quer um que conhe­cesse algum médico ou alguém que pudesse ‘dar uma aju­di­nha’ entrasse em con­tato. Quando come­cei a ouvir esse tipo de movi­men­ta­ção fiquei mais preocupado.

O que havia nas entre­li­nhas? Leia-se: encon­trar  alguém com influên­cia para con­se­guir um quarto na marra. Esse tipo de ajuda tem duas impli­ca­ções impor­tan­tes. A segunda e tal­vez a menos grave – o que vou dizer é polê­mico —  é o fato de que, se se con­se­gue um quarto para o Piva, sig­ni­fica que alguém estará sendo libe­rado antes do tempo neces­sá­rio para sua recu­pe­ra­ção ou, ainda, que outra pes­soa que teria pri­o­ri­dade de ir para quarto no lugar de Piva con­ti­nu­a­ria apo­dre­cendo nos cor­re­do­res do HC. Ação e rea­ção. Mas a pri­meira impli­ca­ção, mais impor­tante para mim, é: não seria esse uso da influên­cia na esfera pública algo con­de­ná­vel para qual­quer pes­soa, inclu­sive — ou prin­ci­pal­mente — para nós, poetas?

Isso nos leva à per­gunta cru­cial: somos os poe­tas carne dife­rente das dos outros seres huma­nos? Minha res­posta é sim e não. Sim, por­que, entre outros moti­vos que não cabem aqui expor, os poe­tas somos uma para­bó­lica de dor. É jus­ta­mente por isso que não posso dei­xar de pen­sar na mul­ti­dão de mise­rá­veis nos cor­re­do­res do Hos­pi­tal das Clí­ni­cas. Mais: fico pen­sando nas mul­ti­dões se acu­mu­lando em todos os hos­pi­tais públi­cos do Bra­sil, a mai­o­ria em pio­res con­di­ções do que o HC. Não, por­que o poeta é um for­ma­dor de opi­nião como qual­quer outro e, por que não, um for­ma­dor de men­tes e cora­ções. Por que Piva merece um quarto e a velha men­diga que está ao lado dele, não? Não adi­anta usar dema­go­gia e dizer ‘Vocês acham que o Piva apro­va­ria isso?’, por­que a con­di­ção dele tal­vez impeça de jul­gar o caso, além do que é com­pli­cado pedir aus­te­ri­dade de alguém tão fra­gi­li­zado. Aqui se trata de nossa inte­gri­dade, como escri­to­res e como cidadãos.

Minha argu­men­ta­ção será reba­tida por uma dura recri­mi­na­ção, tal­vez por conta do meu uso do advér­bio ‘prin­ci­pal­mente’ no final do ter­ceiro pará­grafo. Haverá aque­les que jul­gam vir minha fala per­me­ada de uma visão român­tica do papel do poeta na soci­e­dade. Aquela ladai­nha insis­tente de se con­si­de­rar o poeta como arauto de ver­da­des, exem­plo de vir­tude, blá, blá, blá. Uma visão român­tica, dirão. Somos iguais a qual­quer outra pes­soa. Con­cordo, e por isso vol­ta­mos ao mesmo ponto: iguais a quem? Ao agente público pre­va­ri­ca­dor ou ao cida­dão honesto que se recusa a ofe­re­cer suborno a um guarda de trân­sito cor­rupto? Qual o parâ­me­tro para essa igual­dade, qual o espe­lho? Minha visão é mais prag­má­tica no sen­tido de achar que não se trata de ascen­der o poeta a um sta­tus de dei­dade, mas jus­ta­mente de colocá-lo no papel de qual­quer cida­dão íntegro.

Acre­dito que deve­mos aju­dar Piva e que  essa ajuda deve pas­sar por outro cami­nho que não o da pre­va­ri­ca­ção. Uma conta ban­cá­ria para aju­dar a pagar um hos­pi­tal pri­vado? Um plano de saúde é quase impos­sí­vel por seu estado (Piva tem Par­kin­son Alzhei­mer), mas quem sabe alguma ins­ti­tui­ção (pri­vada) não o ajuda? Acei­tar a ajuda de uma empresa que fará mar­ke­ting social em cima disso, mas não uma ‘aju­di­nha’ de alguém den­tro do HC ou da Secre­ta­ria de Saúde de São Paulo? Hipo­cri­sia, dirão. Pode ser, mas negando esse jogo de influên­cias, esse favo­re­ci­mento espú­rio, tal­vez este­ja­mos, por um ins­tante, inves­tindo con­tra a alma imor­tal dos gabinetes.

Post scrip­tum 03/02/2010

Exce­len­tes escla­re­ci­men­tos da Renata, nos comen­tá­rios abaixo. Vejam lá!


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Prefira nem ler

Li recen­te­mente em um site uma exce­lente crí­tica aos novos ‘movi­men­tos’ lite­rá­rios em Recife. Já não era sem tempo.

Era pre­ciso haver uma crí­tica séria, que mos­trasse os peri­gos desse ver­deiro oba-oba que esses jovens vêm mon­tando na cidade. Não posso fugir do cli­chê de citar Nel­son Rodri­gues ao dizer que toda una­ni­mi­dade é burra. Afi­nal, é só na dia­lé­tica que reco­nhe­ce­mos o valor efe­tivo des­ses gru­pos e da pro­du­ção lite­rá­ria advinda deles. Mais: diria que é papel de crí­ti­cos como o autor do artigo em ques­tão come­ça­rem a escre­ver sobre o que real­mente importa na vida lite­rá­ria des­ses jovens, ou seja, sua pro­du­ção. Não me resta dúvida, e aqui me refiro dire­ta­mente ao Crí­tico, que já deve ter lido tudo o que eles andam pro­du­zindo. O segundo passo, espero, será uma aná­lise crí­tica dessa pro­du­ção insí­pida des­ses come­ços de XXI em Pernambuco.

Mas vol­tando ao texto do Crí­tico, eu apon­ta­ria ape­nas algu­mas incon­sis­tên­cias na arti­cu­la­ção de seu argu­mento, o que apa­ren­te­mente denota que não enten­deu ainda o que está acon­te­cendo na ‘cena lite­rá­ria’ (não sei se é digna do termo, na ver­dade). Para mos­trar esses pro­ble­mas,  seria inte­res­sante fazer um breve his­tó­rico dos dois gru­pos cita­dos, quais sejam o Nós Pós e o Urros Mas­cu­li­nos. Advirto que o meu relato é com­ple­ta­mente par­cial e se baseia em minha frá­gil e frag­men­tá­ria memó­ria. Per­doem os envol­vi­dos por qual­quer omis­são ou dis­tor­ção da rea­li­dae. Ao Crí­tico, advirto que meu texto se apre­senta muito mais como uma ampli­a­ção do espaço da crí­tica do que uma mera réplica.

Bruno Piffardini fazendo macaquices no Nós Pós. Raimundo Carreo também estava nessa noite.

Bruno Pif­far­dini fazendo maca­qui­ces no Nós Pós. Car­rero tam­bém estava nessa noite simiesca.

O Nós Pós nas­ceu em 2007 do desejo de um pes­soal de criar um espaço para a divul­ga­ção do tra­ba­lho de novos auto­res e de encon­tro com auto­res con­sa­gra­dos (nomes como Lucila Nogueira e Rai­mundo Car­rero par­ti­ci­pa­ram do Nós Pós, divi­dindo o espaço no micro­fone com os ‘novos’). Fui con­vi­dado a par­ti­ci­par da edi­ção 6 por­que um dos orga­ni­za­do­res leu um livro meu e deci­diu me cha­mar. Aliás, ler auto­res jovens de maneira des­pre­ten­ci­osa é um exer­cí­cio ainda raro à crí­tica. Creio que me apre­sen­tei três vezes no Nós Pós, que então con­tava com Artur Rogé­rio, que era um dos ide­a­li­za­do­res, e pes­soas como Ale­xan­dre, Ana Maria, Danuza e Jho­na­tan, que faziam a pro­du­ção com muito cari­nho e dedicação.

Artur Rogé­rio, que já tinha con­tos publi­ca­dos em anto­lo­gias e suple­men­tos cul­tu­rais então, saiu do Nós Pós em 2008, mas o grupo con­ti­nuou pro­mo­vendo encon­tros. No mesmo ano Artur cha­mou alguns ami­gos, entre eles Bia­gio, Bruno Pif­far­dini e Cristhi­ano Aguiar – todos eles já tinham se apre­sen­tado no Nós Pós. Fun­da­ram o Urros Mas­cu­li­nos  (não sei quem deu a ideia do nome), que era na ver­dade uma brin­ca­deira com o grupo reci­ta­tivo “Vozes Femi­ni­nas”. Cristhi­ano Aguiar nunca che­gou efe­ti­va­mente a fazer parte do Urros. Fer­nando Farias (con­tista) inte­grou o grupo por algum tempo e Bia­gio teve que dei­xar o grupo por ques­tões de agenda. No final de 2008 eu entrei para o grupo, que até então tinha feito uma apre­sen­ta­ção no Quar­tas Lite­rá­rias, pro­du­zido por Sil­vana Mene­zes, e estava se pre­pa­rando para outra apre­sen­ta­ção, que aca­bou não acon­te­cendo. A for­ma­ção atual do Urros então seria Artur Rogé­rio, Bruno Pif­far­dini e este que vos escreve.

Só esse breve his­tó­rico já demons­tra a você, Crí­tico, que os dois gru­pos são de natu­re­zas dife­ren­tes, com pro­pos­tas dife­ren­tes. Logo, o cor­pus alvo  de sua fúria é no mínimo incon­sis­tente. Não me estra­nhará se, em alguns meses, acres­cen­tar ao hall dos maca­cos lite­rá­rios o grupo Dre­mel­gas, que com seu lindo texto “Pra que tudo isso?” dá um tapa nessa pro­fu­são de fes­tas, fes­ti­vais e coisa e tais lite­rá­rios (irô­nico, não?). O Dre­mel­gas pos­sui ex-integrantes do Nós Pós, do Urros ou de nenhum deles! Curi­oso notar tam­bém como não cita­dos entre os pri­ma­tas gru­pos como o Vaca­tussa ou a Cris­pim, ambos ante­ri­o­res aos gru­pos cita­dos, embora com uma pro­posta menos sub­ver­siva. Já que se colo­cam gru­pos dife­ren­tes, seja­mos pela diver­si­dade e colo­que­mos todos num balaio de gatos só. Ou de macacos.

Mas a afir­ma­ção mais con­tun­dente do seu texto é trans­crita aqui:

“o clima de irre­ve­rên­cia e ‘dane-se a Aca­de­mia’, ou os agen­tes lite­rá­rios, ou o mer­cado edi­to­rial, ou mesmo o lei­tor ou ainda uns aos outros (no pior sen­tido da pala­vra – ou no melhor, quem sabe) é a tônica.”

O Crí­tico. Colo­quem no Goo­gle, se quiserem.

Observe-se que na aná­lise do Crí­tico – nesse momento me volto a você, ó lei­tor curi­oso – sua breve aná­lise des­ses gru­pos, tão dís­pa­res entre si, tam­bém uti­liza ‘gran­de­zas’ dife­ren­tes, pois mis­tura espa­ços de legi­ti­ma­ção da lite­ra­tura com ins­tân­cias da cadeia pro­du­tiva do livro – além, claro, de uma sin­taxe sofrí­vel, o que não vem ao caso. Mas igno­rando a sua falta de parâ­me­tros, con­si­de­re­mos se pode­mos iden­ti­fi­car essa pos­tura vintage-new-punk­-retrô nos gru­pos que citou a par­tir da sua  tra­je­tó­ria. Real­mente não sei de onde tirou essas ideias, mas devo dizer que são bem anos 80. Mas para mos­trar quão esta­pa­fúr­dia é a sua afir­ma­ção, é pre­ciso falar sobre a segunda fase do Urros.

Quando entrei no grupo no final de 2008, tinha a ideia fixa de ten­tar criar novas manei­ras de inte­ra­ção entre os escri­to­res e os lei­to­res, aproximá-los. Levei isso ao grupo, dis­cu­ti­mos e rea­li­za­mos em abril de 2009, na semana de Manuel Ban­deira, a pri­meira ‘maca­quice lite­rá­ria’ (sic): lemos “Vou-me embora pra Pasár­gada” numa praça de ali­men­ta­ção de um grande shop­ping no Recife. Não vou pedir que entenda o sim­bo­lismo do ato, ó Crí­tico – não vocês, que­ri­dos lei­to­res –  pois tal­vez seja pedir demais. O que houve de novo, dife­rente das ‘inter­ven­ções’ públi­cas que cos­tu­ma­mos ver desde sem­pre, foi que nessa aglo­me­ra­ção ins­tan­tâ­nea tanto escri­to­res como lei­to­res (prin­ci­pal­mente esses últi­mos) foram cha­ma­dos pela Inter­net para a lei­tura e tudo seria muito espon­tâ­neo, sem ensaios, sem cor­dões de iso­la­men­tos entre essas duas ‘raças’ (escri­to­res e lei­to­res). Isso, em si, não é novo. Chama-se flash­mob e você, ó Crí­tico, já deve ter ouvido falar. Pode pare­cer moder­noso e pop-cult, mas por que não pro­cu­rar outras manei­ras  de se viven­ciar lite­ra­tura, longe dos saraus e coló­quios aca­dê­mi­cos? Se chama essa busca de maca­quice lite­rá­ria, pois então eu sou macado desde menino.

O segundo ‘ato simi­esco’ (estou dando um ar mais aca­dê­mico para que o Crí­tico se sinta mais con­for­tá­vel) foi uma coisa banal: o Sara­pa­te­li­te­rá­rio. Foi só o pri­meiro lei­lão de manus­cri­tos e ori­gi­nais de escri­to­res no estado de Per­nam­buco. Foram lei­lo­a­dos manus­cri­tos Lucila Nogueira, Gil­van Lemos, Jomard Muniz de Britto, Rai­mundo Car­rero, Terêza Tenó­rio, Cida Pedrosa e Val­mir Jor­dão. Você, como um grande conhe­ce­dor da lite­ra­tura atual pro­du­zida no estado, deve saber que esses nomes vão de desde mem­bros da Aca­de­mia, a anti­a­ca­dê­mios pas­sando pelos que não estão nem aí para ela. Por­que, mais uma vez, não inte­res­sava ao Urros o seu ‘dane-se a Aca­de­mia’: inte­res­sava con­gre­gar várias vozes para algo maior, mais vis­ce­ral: a Fre­e­Porto – a maca­cada final de 2009. O dinheiro arre­ca­dado no evento foi todo rever­tido para a festa.

Mas antes de che­gar a ela, temos direito a sal­ti­tar como maca­cos e nos jogar no chão, repe­tindo ver­sos de Drum­mond. Eis que acon­tece em outu­bro a segunda flash­mob do Urros: No meio do cami­nho. As pes­soas deve­riam jogar-se no chão e repe­tir, por dois minu­tos, os ver­sos acima. “E isso é lite­ra­tura?”. Claro que não, ó Crí­tico meu. Isso é vivê-la, senti-la em todos os seus poros enquanto se está no chão de um lugar fre­quen­tado por milha­res de pes­soas, impe­dindo a pas­sa­gem des­sas pes­soas e sen­tido o chão tre­mer em seu corpo enquanto se repete Drum­mond como um man­tra. Per­gunte se os que par­ti­ci­pa­ram da coisa acham algo pare­cido, se em algum momento de suas vidas vão esque­cer essa expe­ri­ên­cia. Maca­quice é um ponto de vista.

A Fre­e­Porto foi outra peça pre­gada pelo Urros. Muito já se falou sobre a festa e não adi­anta repe­tir aqui, pois ima­gino que para ter escrito seu texto, ó Crí­tico, deve ter ido e odi­ado.  É claro que havia a iro­nia à Fli­porto, mas não só a ela: ao engra­va­ta­mento, à lite­ra­tura se achando mais que qual­quer outra coisa, aos even­tos lite­rá­rios con­ven­ci­o­nais e repe­ti­ti­vos Bra­sil afora, ao gabi­nete como ver­dade suprema. E, mais uma vez, fomos coe­ren­tes: que­ría­mos uma festa com lei­to­res e escri­to­res se mis­tu­rando, con­ver­sando, tro­cando ideias sobre tudo, inclu­sive, veja só, lite­ra­tura! Da mesma forma, con­se­gui­mos jun­tar numa mesma festa escri­to­res das mais diver­sas dic­ções e ide­o­lo­gias por algo comum: cele­brar a literatura.

Pedro Américo e JMB na FreePorto. Macaqueando, com certeza.

Pedro Amé­rico e JMB na Fre­e­Porto. Dois ‘macaco veio’.

Se obser­var bem, fica difí­cil depois des­ses dois pará­gra­fos você sus­ten­tar, ó Crí­tico, a coisa do ‘dane-se o lei­tor’ e ‘danem-se uns aos outros’(sic, eu real­mente não sei como ‘se danam uns aos outros’). Res­tam agora os ‘agen­tes lite­rá­rios’ e o ‘mer­cado edi­to­rial’. Nesse ponto, você final­mente fala algo inte­res­sante. Cito:

Tudo cui­da­do­sa­mente maqui­ado para dis­far­çar suas fal­tas de opções esté­ti­cas por meio do riso fácil e de uma falsa iro­nia que antes de atin­gir nega­ti­va­mente seus alvos parece ser uma isca para o pró­prio mer­cado edi­to­rial que se debruça mui­tas vezes a um humo­rismo capenga e a um tipo de texto que pre­tende sal­var vidas e cora­ções, mas que é muito mais repre­sen­ta­tivo de um vazio tão comum àquela onda que busca ape­nas o cho­que cal­cu­lado pelas ati­tu­des pre­ten­sa­mente ‘ino­va­do­ras’.

O Crí­tico. Google.

Você quase enten­deu, ó que­rido Crí­tico! A dife­rença é que não há maqui­a­gem alguma, não há sub­ter­fú­gios. Há cri­a­ti­vi­dade, tra­ba­lho e per­se­ve­rança. Não há alvos a serem ata­ca­dos: o obje­tivo é suci­tar a crí­tica e sub­ver­ter cer­tas visões estag­na­das. É óbvio que nosso obje­tivo é des­viar o olhar para essa nova pro­du­ção! Sem­pre foi isso desde o começo! Não são ‘aca­de­mias de jovens’, são gru­pos de escri­to­res que sim, que­rem ser publi­ca­dos e seguem cami­nhos pouco con­ven­ci­o­nais para tal. Parece-me curi­oso, no entanto, que só nesta parte do texto se fale final­mente da pro­du­ção des­ses auto­res, por­que o artigo do Crí­tico se limita a falar do ‘auê’ pro­mo­vido por essas fes­tas lite­rá­rias. O Crí­tico De la serie Payasos
per­deu a opor­tu­ni­dade de escre­ver um exce­lente texto. Um texto que seria um grito de “onde está a pro­du­ção des­sas pes­soas fes­tei­ras?”  Ao invés disso, limitou-se a um res­mungo rea­ci­o­ná­rio e inó­quo sobre movi­men­ta­ção literária.

Sua aná­lise (eu sei, meus lei­to­res, curi­o­sos por ler o texto do Crí­tico; já falei, Goo­gle), por fim, se baseia num argu­mento exter­na­mente inco­e­rente, como que saído de uma mente autista. E ela começa a ser inco­e­rente  – aná­lise, não a mente autista – jus­ta­mente quando fun­da­menta sua retó­rica no ‘pre­firo não fazer’ – tal­vez mais para dar uma cara pop-cult-Cosac-Naify-Livraria-Cultura a seu texto do que por outro motivo. Parece que esta­mos vendo rea­li­da­des dife­ren­tes, pois enquanto você ava­lia esses gru­pos pri­meiro como ‘movi­men­tos’, rótulo que nunca foi imposto por eles mes­mos. Segundo, como uma opo­si­ção pura e sim­ples a tudo, um bando de nii­lis­tas per­di­dos. Na ver­dade, o que esses gru­pos têm é jus­ta­mente fé. Fé de que exista vida inte­li­gente nas aca­de­mias, que as edi­to­ras tenham um olhar mais cui­da­doso para a pro­du­ção con­tem­po­râ­nea e ainda não pre­mi­ada, de que ainda vale a pena escre­ver num país com a média de livros com­pra­dos e lidos como o Brasil.

Esses gru­pos com­par­ti­lham essas expe­ri­ên­cias como quais­quer escri­to­res con­tem­po­râ­neos de outros com­par­ti­lha­ram. Isso não implica qual­quer iden­ti­fi­ca­ção esté­tica ou pres­su­põe a cri­a­ção de um mani­festo da lite­ra­tura con­te­po­râ­nea do século XXI, pelo amor de Deus! A manu­ten­ção des­ses gru­pos ajuda, de alguma forma, a fazer apa­re­cer para a Aca­de­mia, para os lei­to­res, para o mer­cado edi­to­rial, para os pró­prios escri­to­res – não neces­sa­ri­a­mente nessa ordem – essas novas vozes que, como bem disse o Crí­tico, pas­sa­rão – e pre­ci­sam pas­sar – pelo crivo do tempo. Talen­tos indi­vi­du­ais apa­re­ce­rão, gru­pos lite­rá­rios farão seu papel e serão esque­ci­dos, men­ci­o­na­dos tal­vez num semi­ná­rio qual­quer, vinte anos depois. C’est la vie.

À guisa de tor­nar o exer­cí­cio da crí­tica mais obje­tivo, pro­po­nho ao Crí­tico que, ao invés de ridi­cu­la­ri­zar as maca­qui­ces lite­rá­rias desse pes­soal deso­cu­pado de Per­nam­buco, des­ses escri­to­re­zi­nhos  fes­tei­ros, que faça o que pro­pus em meu pri­meiro pará­grafo: leia a pro­du­ção des­ses auto­res e escreva sobre essas obras em cons­tru­ção. Não há dúvi­das de que terá mate­rial sufi­ci­ente para demons­trar quão fraca é a lite­ra­tura atual se com­pa­rada à dos mes­tres (?). Se diver­tirá, por exem­plo, com meu pri­meiro livro, motivo de emba­raço para mim e que terei que levar à tumba. Mas só assim se tor­nará um crí­tico lite­rá­rio e não um colu­nista social com acha­ques de academicismo.

De qual­quer forma, gos­ta­ria de parabenizá-lo mais uma vez pela ini­ci­a­tiva de escre­ver seu artigo. Seu texto é o pri­meiro que, aber­ta­mente, cri­tica gru­pos como o Nós Pós ou o Urros Mas­cu­li­nos. Isso é exce­lente por­que é uma maneira tam­bém de você apa­re­cer, à melhor maneira de Bar­tleby, sem fazer abso­lu­ta­mente nada.

Fotos: Felipe Fer­reira, Wel­ling­ton de Melo & Tomate Verde


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Sobre vassouras e sentimentos reprimidos

Boris Casoy apre­sen­tava o Jor­nal da Band. Clima de fim de ano: anun­ci­ava o sor­teio da Mega­Sena espe­cial de fim de ano, ima­gens de car­tões mar­ca­dos de apos­ta­do­res. Corta. Logo do Jor­nal e vinheta. Nor­mal­mente aqui se corta o som do estú­dio. Não cor­ta­ram. Ouve-se a voz de Casoy. Quem ouviu, achava que fosse ima­gi­na­ção, que não pode­ria estar ouvindo aquilo. Em outros tem­pos, fica­ria como um lam­pejo de rea­li­dade, como um sonho ruim que lem­bra­mos só pela metade, algo que fica lá inco­mo­dando mas com o tempo vai, se apaga. Mas a inter­net é bicho matreiro. Falou e foi gra­vado, vai pra lá e te ator­menta para sem­pre. Eis a fala de Boris, trans­crita (veja o vídeo cli­cando aqui, se preferir):

Que m*#@… dois lixei­ros dese­jando feli­ci­da­des… do alto de suas vas­sou­ras… Dois lixei­ros! O mais baixo da escala do trabalho!”

Boris Casoy, 31 de dezem­bro de 2009.

O pes­soal vai dizer: “Absurdo! Como pode? Um comu­ni­ca­dor!”. <— Ok, vamos refor­mu­lar, por­que o pes­soal achou que eu estava ate­nu­ando para Casoy. O que escapa do bra­si­leiro medi­ano é jus­ta­mente o dis­curso que sub­jaz dessa fala repri­mi­dade Casoy, cap­tada no ar — recal­que ciber­né­tico? É um dis­curso velado que está incrus­tado nas men­tes de todas as clas­ses no Bra­sil, das eli­tes aos mise­rá­veis. Seria fácil dizer que é um pre­con­ceito das eli­tes (inte­lec­tu­ais ou inte­lec­tu­a­loi­des) do Bra­zil. Mas o buraco é mais em baixo. O buraco é no meio: esse dis­curso eu observo todo dia na classe média. Está ali, guar­da­di­nho, espe­rando um mau aten­di­mento no bar da moda, uma aten­dente de tele­mar­ke­ting menos pre­pa­rada,  um fun­ci­o­ná­rio incom­pe­tente qual­quer, enfim. Sim, por­que os há em todas as clas­ses soci­ais, por­que, no final das con­tas, a mai­o­ria dos mor­tais — classe média ou não — é fun­ci­o­ná­rio de alguém. Mas o que dizia: falta sem­pre pouco para o dedo na cara, o grito, a galhofa, a humi­lha­ção do outro. Esse ranço de des­prezo pelo subor­di­nado, pelo infe­rior é um can­cro de nossa raíz colonial-imperial-sinhozinho, mas está em toda a parte, como disse. Boris Casoy é tão calhorda como o empre­sá­rio que grita com a bal­co­nista da loja do shop­ping por­que não tem o tama­nho da camisa que ele veio tro­car. Tão imbe­cil como o pro­fes­sor da uni­ver­si­dade pública que fica rever­be­rando sua voz para as pare­des com suas ver­da­des de gabi­nete e olha com des­dém para aque­las pobres almas daque­les incul­tos de vinte e pou­cos anos. Boris Casoy é tão des­pre­zí­vel quando um boy­zi­nho — pro­va­vel­mente uni­ver­si­tá­rio — que ouvi outro dia na pada­ria, dizendo que a cada três meses se diver­tia ligando pra o ser­viço de aten­di­mento da TV a cabo para pedir des­con­tos e jogava os bichos na aten­dente. É tão estú­pido quando a mãe mise­rá­vel que bate no filho, tam­bém mise­rá­vel, e o manda pedir dinheiro no sinal. Tão cruel como o menino que bate no outro no sinal por­que está rou­bando seu ponto.

Não sou soció­logo nem pre­tendo fazer uma aná­lise mais pro­funda do caso muito menos cri­ti­car ou defen­der nin­guém. Ao mesmo tempo, faço logo a res­salva antes que come­cem a achar meu dis­curso fas­cista: sim, Boris Casoy foi um com­pleto imbe­cil. Só gos­ta­ria de me espan­tar mais com a ati­tude de Boris. Ok, eu me espanto com a fala dele, mas não quanto deve­ria, por­que não se pode espe­rar muito das pes­soas. Mas não dá, por­que chega um momento em que você espera tudo. Se ficar­mos no dis­curso clas­se­me­dista, jurando que esse fato é algo iso­lado, que isso não acon­tece na mesa ao lado, vira ape­nas dema­go­gia e dis­curso vazio. Feliz 2010.


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Saudosismo

Tenho pas­sado por uma fase sau­do­sista nos últi­mos tem­pos. Bai­xei toda a cole­ção do Led Zep­pe­lin, que acom­pa­nhou minha ado­les­cên­cia, dis­cos do Black Sab­bath, pri­meira banda de heavy pela qual me apai­xo­nei, e, pas­mem, a dis­co­gra­fia de Roberto Car­los. Sim! Eu adoro Roberto Car­los, podem des­maiar! Na ver­dade, gosto até os anos 80, prin­ci­pal­mente os 70, na fase soul do cara. Você já parou para ler as letras desta época? Não a coisa falando de mulher gorda, mulher de óculos ou de cami­nho­nei­ros (não mas mulhe­res, mas os cami­o­nei­ros pro­pri­a­mente ditos), idéias que pra mim vêm dos mar­ke­tei­ros da Globo que des­truí ram o homem com essa exclu­si­vi­dade! Anti­ga­mente as letras de Roberto pega­vam na veia. Eram de uma sen­si­bi­li­dade incom­pa­rá­vel, bei­rando o kitsch ou até se lam­bu­zando dele. Parecia des­cre­ver toda a situ­a­ção las­cante da pes­soa na foça. O cara que pas­sou uma dor de coto­velo na vida e ouviu uma música do Rei desta época sabe do que estou falando. A seguir, alguns frag­men­tos para a ses­são foça do disco de 1976, curi­o­sa­mente o ano de meu nas­ci­mento um dos melho­res desta época! E aguar­dem um Review sobre o Rei!

Não, eu não quero voltar/ Eu só quero pedir para você evi­tar comentários/ Eu vim só lhe previnir/ que as pes­soas às vezes até usam você/ só para se divertir/ Nos­sos pro­ble­mas são nossos/ Não devem ser­vir para con­ver­sas banais/ Melhor você não se ilu­dir nem se abrir com pes­soas que falam demais” (Comen­tá­rios — 1976)

Depois de tanto rabiscar/ Em tudo, em qual­quer lugar/ Seu nome e o meu/ Tudo que é seu está¡ guardado/ O seu retrato até molhado/ Pelos bei­jos meus/ Nosso mundo de promessas/ De pala­vras, de carinho/Vi cair no chão/ E você quer a condição/ De ami­gos.” (Ami­gos, Ami­gos, 1976)

E não são são letras só melo­sas. Tem até letra ecológica:

Eu que­ria não ver tan­tas nuvens/ Escu­ras nos ares/Navegar sem achar tan­tas manchas/ De óleo nos mares/ E as baleias desaparecendo/ Por falta de escrú­pu­los comerciais/ Eu que­ria ser civi­li­zado como os ani­mais.” (O pro­gresso, 1976)

E ai? Alguém tem mais uma música do Rei mar­cante em sua vida?


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O oprimido opressor

Um excelente exemplo de retórica, em que o opressor assume a posição de oprimido para discriminar o outro.
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Vari­a­ções do tema do outsider

Sou uma patética variação do tema do outsider. Cada vez mais percebo isso.
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Sobre cansaço e Marte em Leão

Resumão dos últimos dias e perspectiva pros próximos.
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Parto de livros

Sobre as vozes dos livros.
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Sobre a carne dos poetas e a alma imortal dos gabinetes

Artigo sobre a campanha para retirar Roberto Piva dos corredores do HC.
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Prefira nem ler

Sobre um texto lido dia desses na net.
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Sobre vassouras e sentimentos reprimidos

Boris Casoy comete a última gafe do ano.
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Saudosismo

Roberto Carlos das antigas é muito massa.
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