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Vari­a­ções do tema do outsider

Sou uma paté­tica vari­a­ção do tema do out­si­der.

Cada vez mais per­cebo isso. Eu cir­culo por ambi­en­tes que não são meus, que não sou eu, em que não sou. Não é lamú­ria por ter ori­gem humilde: é a cons­ta­ta­ção de que o uni­verso a que per­tenço é tão mais trans­pa­rente do que esse pelo qual me arrasto como um pedinte. Otelo é Otelo não pelo ciúme a Des­dê­mona. É-o por­que é um out­si­der: des­per­tou a inveja e a fúria de Iago. Suporto com difi­cul­dade os salões pela neces­si­dade de alcan­çar cer­tos obje­ti­vos que cada vez mais pare­cem menos meus. Uma piada de mau gosto. Eu sou rude, não tenho esse fino trato, esse sor­riso que esconde fúrias. Se me enfu­reço, fecha-se a cara, pronto. Calar, calar, espe­rar, bai­xar a cabeça. Isso não é algo que aprendi com meu pai. Sou um estran­geiro. Quero-me de volta, mas parece que meu rosto está escon­dido em alguma gaveta. A um amigo que disse que escre­via um conto com um per­so­na­gem base­ado em mim, um con­se­lho: se não for uma vari­a­ção do tema do out­si­der, não serei eu. E não tem que ser, na ver­dade. Qual o sen­tido de tudo isso, para que tudo isso? Ouço con­ver­sas sobre via­gens à Europa, ten­dên­cias da lite­ra­tura, pro­je­tos, edi­tais. Can­sado. Can­sado de remar con­tra uma maré de imbe­cis. Can­sado de ser um imbe­cil que acre­dita que pode fazer alguma coisa. Um estran­geiro. Num labirinto.


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Sobre literatura e tartarugas

Recen­te­mente um amigo me pro­cu­rou pedindo ajuda com alguns tex­tos que estava escre­vendo. A ideia seria publi­car um livro de poe­mas. Pediu que lesse e sele­ci­o­nasse o que me agra­dava. Li e gos­tei de pouca coisa. Alguns poe­mas pode­riam ainda ser tra­ba­lha­dos, mas a grande mai­o­ria não pas­sava do cli­chê e da prosa em cavalgamento.

O amigo me per­gun­tou o que tinha achado. Disse, da maneira mais deli­cada que pude, que havia pouco ali que pudesse ir a livro. Ele per­gun­tou se podia ajudá-lo reco­men­dando tex­tos. Eu disse que a melhor coisa era apren­der lendo poe­tas, apren­der pelo exem­plo. Pediu auto­res. Reco­men­dei, pra come­çar, Eve­rardo Norões, que pra mim tem uma das qua­li­da­des que mais preso num poeta: a con­den­sa­ção de sig­ni­fi­cado em poe­mas cur­tos. Pes­soa me per­doe o sacri­lé­gio, mas mui­tos poe­mas de Álvaro de Cam­pos seriam mil vezes melho­res se mais curtos.

O amigo per­gun­tou se eu pode­ria fazer uma ‘tri­a­gem’ dos poe­mas que pode­riam ser publi­ca­dos numa edi­ção que ele que­ria que fosse bilín­gue. De minha parte, nunca per­mi­ti­ria a nin­guém sele­ci­o­nar poe­mas meus para um livro. No máximo, pedi­ria a opi­nião a ami­gos lei­to­res — como peço, aliás — para aju­dar a tra­çar o rumo que pen­sei para o livro em si. No final das con­tas, eu faria algo seme­lhante ao papel de um edi­tor. Eu disse que o pro­cesso de escre­ver um livro pode ser lento. Falei do tempo que demo­rei para cada um dos meus. Ele que­ria publi­car já. Per­gun­tei quanto tempo vinha tra­ba­lhando no livro. Disse que escre­veu, mas não tinha tra­ba­lhado sobre os poemas.

Foi aí que decidi escre­ver este post, por­que me veio uma per­gunta: por que meu amigo não con­se­guia notar que o que ele escre­via pre­ci­sava de muito tra­ba­lho para poder ser cha­mado de arte? Por que com lite­ra­tura é tão difí­cil ter essa percepção.

Um dos moti­vos que encon­trei em minhas refle­xões foi o fato de que, em lite­ra­tura, a lín­gua, que é nossa maté­ria prima, a prin­cí­pio é domi­nada por todos os pre­ten­den­tes a escri­tor. Digo a prin­cí­pio por­que a téc­nica lite­rá­ria não depende ape­nas do domí­nio das nor­mas gra­ma­ti­cais ou de um conhe­ci­mento lexi­cal amplo. Da mesma forma que, a cen­te­lha que dis­tin­gue um grande músico de todos os outros vai além do sim­ples domí­nio da teo­ria musi­cal ou da exe­cu­ção dos acor­des. Nesse ponto, uma coisa dis­tin­gue e muito a arte lite­rá­ria de outras cuja habi­li­dade em um deter­mi­nado ‘medium’ ajuda a per­ce­ber a fra­queza do artista. Alguém que ouve um mau gui­tar­rista o per­cebe no momento em que o infe­liz começa a tocar. A mesma coisa acon­tece quando um pin­tor sem habi­li­dade exibe sua obra, por­que cores satu­ra­das ou pin­ce­la­das tími­das ou impre­ci­sas são facil­mente iden­ti­fi­ca­das por um olhar crí­tico. Com artes cêni­cas e dança, a mesma coisa, muito embora o ‘medium’ seja o pró­prio corpo e a habi­li­dade ou a falta dela é mais uma vez per­cep­tí­vel na execução.Which way is the ocean?

Com a lite­ra­tura acon­tece — e aqui mais uma vez tomo o senso comum — o que acon­tece mui­tas vezes em minhas aulas de gra­má­tica: alu­nos que falam por­tu­guês há catorze anos têm uma certa resis­tên­cia ao reco­nhe­cer a auto­ri­dade de alguém que ensina essa a norma padrão dessa lín­gua. Quando lhes digo que o padrão para o verbo ‘mediar’ no pre­sente é ‘eu medeio’, nor­mal­mente a res­posta é uma careta ou resmungos.

Reto­mando o raci­o­cí­nio: as pes­soas ‘domi­nam’ a sua lín­gua e creem que, por isso só, podem escre­ver. Alguém sem habi­li­dade musi­cal que tenta tocar vio­lão, em algum momento, desis­tirá por­que não con­se­guirá extrair do ins­tru­mento as notas que tem na mente. Alguém como eu, que não sabe dan­çar, pedirá socorro depois de pisar o pé da par­ceira e des­co­brirá  -se ainda não sou­ber — que não nas­ceu para aquilo.

Mas quem diz a alguém que escreve mal que o cami­nho não é aquele? A pes­soa vai con­ti­nuar escre­vendo sem nenhum remorso, achando que está tudo bem, até encon­trar alguém sin­cero o sufi­ci­ente para dizer que não está legal. Ima­gino milha­res de pre­ten­den­tes a escri­to­res como tar­ta­ru­gui­nhas coxas na praia: se nin­guém dis­ser a elas que têm uma pata a menos, vão con­ti­nuar entrando no mar.

Mas aí vem a per­gunta: quem tem direito de impe­dir que as tar­ta­ru­gui­nhas ten­tem se aven­tu­rar no mar, mesmo com só três patas? É, con­tra isso não tenho argu­mento. É a beleza da vida e são os ris­cos da arte: o que a faz bela e peri­gosa é se expor diante do mar, igno­rando as chan­ces que temos de sobreviver.

Creative Commons License photo cre­dit: madame.furie


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Autores leiloam seus originais

Publi­cado no Jor­nal do Com­mer­cio, dia 25 de maio de 2010.

Por Sch­nei­der Carpeggiani

Lei­lão rea­li­zado hoje conta com os tex­tos que deram ori­gem a Gali­leia e Angu de san­gue. O obje­tivo é arre­ca­dar dinheiro para a Freeporto

Os ori­gi­nais de dois dos livros per­nam­bu­ca­nos mais sim­bó­li­cos na última década esta­rão entre os itens do 2º Lei­lão de Manus­cri­tos e Ori­gi­nais de Escri­to­res em Per­nam­buco. São eles Angu de san­gue, de Mar­ce­lino Freire, e Gali­leia, de Ronaldo Cor­reia de Brito (na época desse esboço, o livro ainda se cha­mava Davi entre as feras). O evento acon­tece hoje, às 19h, no Espaço Muda, e é orga­ni­zado pelo cole­tivo Urros Masculinos.

Em 2010, Angu de san­gue come­mora 10 anos. Foi a estreia da prosa elíp­tica, rápida e viru­lenta de Mar­ce­lino Freire. “Coin­ci­den­te­mente, eu aca­bei de vol­tar do oftal­mo­lo­gista. Pre­ciso usar óculos. Para con­ti­nuar lendo e escre­vendo. Lem­bro: à época do Angu minha vista ainda estava zero bala. Tra­ba­lhava como revi­sor de tex­tos em uma agên­cia de pro­pa­ganda. E tem uns dois anos que vivo, direta e indi­re­ta­mente, ape­nas de lite­ra­tura. E esse Angu foi o começo de tudo. Foi o meu pri­meiro livro por uma edi­tora. Por indi­ca­ção do crí­tico lite­rá­rio João Ale­xan­dre Bar­bosa, que escre­veu o pre­fá­cio”, lem­bra Freire.

Logo na estreia, o autor se con­sa­grou como uma dos gran­des nomes da lite­ra­tura bra­si­leira. Sem­pre fiel aos con­tos, ganhou um Prê­mio Jabuti por Con­tos negrei­ros. O título foi adap­tado para o tea­tro por uma com­pa­nhia local que aca­bou se bati­zando como Angu de san­gue. “Angu de san­gue veio dar tem­pero ao meu tra­ba­lho. Uma voz que, reve­lada ali, ainda está comigo. E estará. Eu só escrevi o Angu por­que vim morar em São Paulo. É quase um inven­tá­rio des­ses meus pri­mei­ros anos pau­lis­ta­nos. A par­tir dele, fui apri­mo­rando a minha visão de mim e do mundo, enxer­gando cada vez mais longe, entende?”, provoca.

O ori­gi­nal colo­cado em lei­lão é última prova digi­ta­li­zada do livro. “Tem alguns peque­nos acer­tos meus. Em cada folha, dá para ver a data em que a prova foi impressa. E eu impri­mia tudo isso den­tro da agên­cia de pro­pa­ganda em que tra­ba­lhava. Na sur­dina. Sil­vana Zan­do­meni, que fez a dire­ção de arte do livro, foi uma grande com­pa­nheira nesse sen­tido. Pas­sá­va­mos madru­ga­das mexendo nisso. Tudo está ali, nesse ori­gi­nal, regis­trado. Vejo-o e me lem­bro dessa pri­meira emo­ção, des­ses dias cor­ri­dos. O livro foi lan­çado uns dois meses depois. E foi um sucesso.” Junto ao ori­gi­nal, a prova de uma das foto­gra­fias que o artista plás­tico per­nam­bu­cano Jobalo (que mora hoje na Itá­lia) fez espe­ci­al­mente para a obra. “Ou seja: o cara vai levar um ver­da­deiro dos­siê do Angu”.

Foi Jobalo, inclu­sive, quem deu nome ao meu livro. “Ele mandou-me uma carta da Itá­lia brin­cando que se você tirasse a letra ‘S’ e a letra ‘E’ da pala­vra ‘sAN­GUe’, tem ‘angu’ lá den­tro. E eu estava pre­ci­sando de um título para fechar aquela reu­nião de con­tos. Alguns, que eu havia escrito ainda no Recife. Outros, escri­tos em cho­que com a cidade de São Paulo. Foi sendo cozi­nhado assim o livro – em con­tato com os car­ros e a fumaça de São Paulo. João Ale­xan­dre fala sobre isto no pre­fá­cio: o angu da tra­di­ção virou, aqui em São Paulo, o Angu de San­gue, o angu que foi pos­sí­vel cons­truir, recons­truir. Foi o prato que eu criei nessa cidade. Para não comer o pão que o diabo amassou”.

Mar­ce­lino res­salta que esse é um livro de “sota­que” e em que “todos os per­so­na­gens estão fora do lugar, desam­bi­en­ta­dos no tempo e no espaço. Como eu estava, há dez anos.

PRECIOSIDADE

Com seu romance de estreia, Gali­leia, Ronaldo Cor­reia de Brito levou para casa, ano pas­sado, o maior prê­mio em dinheiro do País, o São Paulo de Lite­ra­tura. Segundo o autor, o ori­gi­nal doado ao Urros Mas­cu­li­nos é o mais vali­oso de todos os ori­gi­nais do romance. “Desde o pri­meiro esboço de Gali­leia, foram oito anos. O ori­gi­nal que doei para a Fre­e­porto é o mais sig­ni­fi­ca­tivo das deze­nas de tra­ta­men­tos do romance. Nele, eu aban­dono pro­je­tos e tomo novos rumos. Quem o ler, ficará sur­preso com os esbo­ços de cons­tru­ção e des­cons­tru­ção de minha escrita”, des­taca o autor.

Nesse ori­gi­nal, o lei­tor encon­trará um foco maior no per­so­na­gem Davi, que daria nome ao romance. “Eu pre­ten­dia que Davi fosse o per­so­na­gem prin­ci­pal do romance. Mas, com o tempo, ele per­deu força para Ado­nias e Ismael, o que é bem comum de acon­te­cer ao longo da escrita. Tive de bus­car um outro nome para o romance. Minha mulher, Ave­lina, me suge­riu Gali­leia, sem nem mesmo ler o livro, ape­nas por ouvir meus rela­tos sobre a his­tó­ria. Conhe­cer o pro­cesso de cri­a­ção dos artis­tas é como via­jar no tempo, ou ler um bom romance poli­cial. Quem ler esse Davi entra as feras, depois de ter lido Gali­leia terá gran­des sur­pre­sas”. O lei­lão con­tará ainda com obras de Sama­rone Lima, Fer­nando Farias, Aldo Lins, Sil­vana Mene­zes e André Cer­vins­kis. A renda será rever­tida para a rea­li­za­ção da 2ª Freeporto.

» 2º Lei­lão de Ori­gi­nais e Manus­cri­tos de Escri­to­res em Per­nam­buco: hoje, às 19h, Espaço Muda (Rua do Lima, 280)


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Panela de chá — Leilão de manuscritos e originais de escritores

Acon­tece na pró­xima terça-feira, dia 25 de maio, a Panela de chá — II Lei­lão de manus­cri­tos e ori­gi­nais de escri­to­res em Per­nam­buco. Rola no Espaço Muda, na rua do Lima, 280 (ao lado do Jor­nal do Commercio).

Ano pas­sado fize­mos o pri­meiro lei­lão, cha­mado Sara­pa­te­li­te­rá­rio. Foi no Pasár­gada. Foi a pri­meira edi­ção e as lem­bran­ças que tenho são muito boas. Uma coisa mágica você ver as pes­soas dando lan­ces pelos ori­gi­nais dos escri­to­res, o que pra mim era um reco­nhe­ci­mento pelo tra­ba­lho deles, pelo seu pro­cesso cri­a­tivo. Os ori­gi­nais de O amor não tem bons sen­ti­men­tos, de Rai­mundo Car­rero foi arre­ma­tado por R$ 500,00 por um empre­sá­rio per­nam­bu­cano, cara de visão que reco­nhe­ceu o valor daquele docu­mento vivo, que em alguns anos se tor­nará mais vali­oso ainda como um arte­fato da his­tó­ria da lite­ra­tura con­tem­po­râ­nea pro­du­zida em nosso estado.

Lem­bro que nossa pre­o­cu­pa­ção no Urros era que os manus­cri­tos fos­sem para mãos que os res­pei­tas­sem, então cri­a­mos um termo de res­pon­sa­bi­li­dade que todos os com­pra­do­res assi­nam, se cer­ti­fi­cando que devem pre­ser­var as peças arre­ca­da­das e comu­ni­car para nós se deci­dir se des­fa­zer. Isso por­que con­si­de­ra­mos que é impor­tante não per­der de vista estas peças, que deve­riam fazer parte do acervo de bibli­o­te­cas, ins­ti­tui­ções de ensino etc.

A espe­rança é que este ano as pes­soas tomem cons­ci­ên­cia da impor­tân­cia des­ses ori­gi­nais. Como inte­res­sado pela crí­tica gené­tica, não posso dei­xar de ficar exta­si­ado com a visão de ori­gi­nais como o de Sama­rone Lima, de Via­gem ao Cre­pús­culo: cheio de modi­fi­ca­ções, rasu­ras, cor­re­ções que reve­lam o per­curso do autor até a obra publicada.

Em se con­si­de­rando o valor gené­tico, me chama a aten­ção tam­bém os ori­gi­nais de Gali­leia, de Ronaldo Cor­reia de Brito. Para come­çar, a ver­são doada para a Fre­e­Porto se chama “Davi entre as feras”, título ante­rior do livro, que pro­va­vel­mente se cha­mava sim­ples­mente “Davi”, já que “entre as feras está escrito a lápis. Há movi­men­tos gené­ti­cos inte­res­san­tís­si­mos, como uma pas­sa­gem em que o autor subs­ti­tui “Anto­ni­oni” por “um cine­asta”, o que mos­tra um desejo de reti­rar um tom mais eli­tista da fala do per­so­na­gem e ‘sim­pli­fi­car’ sua fala, aumen­tando a comu­ni­ca­bi­li­dade da sequên­cia como um todo.

Mais impor­tante: o romance, como está, é muito dife­rente da ver­são final, uma vez que as per­so­na­gens ainda não têm o deli­ne­a­mento que terão em Gali­leia e frag­men­tos intei­ros foram supri­mi­dos. A bem da ver­dade, o livro cres­ce­ria e pos­te­ri­or­mente seria mais uma vez enxuto até che­gar à publi­ca­ção final. Em con­versa com Ronaldo, con­fes­sou que, se o pro­cesso de escrita do romance tivesse cinco par­tes, essa repre­sen­tada nos ori­gi­nais seria a fase dois. O autor não expli­ci­tou se seriam cinco fases pré-editoriais ou não, mas nota-se cla­ra­mente que se trata de um texto que revela muito das deci­sões toma­das pos­te­ri­or­mente pelo autor em dire­ção do seu pre­mi­ado livro.

Fica então o con­vite a todos para adqui­rir manus­cri­tos e ori­gi­nais des­ses auto­res que tive­ram a deli­ca­deza de doar ao Urros Mas­cu­li­nos e à Fre­e­Porto essa ferida aberta que são esses docu­men­tos, retrato mar­cante de sua escrita, de seu belo pro­cesso criativo.

O Grupo Paés pre­pa­rou uma emba­la­gem exclu­siva que vai aco­mo­dar cada uma das peças lei­lo­a­das, uma coisa chi­que! Apre­sen­ta­ções de Artur Rogé­rio e Rai­mundo de Moraes, Bruno Pif­far­dini e Leo Zadi, Dre­mel­gas e coisa e tal. Eu, fico de mes­tre de cerimô­nia. Vamos lan­çar ofi­ci­al­mente a Fre­e­Porto neste dia. Preparem-se pra sur­pre­sas. Lan­ça­re­mos até um prê­mio lite­rá­rio. Aguar­dem! O con­vite para o evento vai aqui embaixo:


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Crítica teatral em debate no teatro Hermilo Borba Filho

Maté­ria publi­cada no por­tal da Pre­fei­tura da Cidade do Recife.

O papel do crí­tico tea­tral e a impor­tân­cia da sua for­ma­ção para a dis­cus­são do tea­tro na atu­a­li­dade. Essas e outras ques­tões foram levan­ta­das na segunda edi­ção do pro­jeto Labo­ra­tó­rio de Lite­ra­tura & Crí­tica, rea­li­zada na noite desta terça-feira (11), no Tea­tro Her­milo Borba Filho, Bairro do Recife. Com o tema “Onde Está o Crí­tico de Tea­tro?”, o debate con­tou com as par­ti­ci­pa­ções do pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Fede­ral de Per­nam­buco (UFPE) Luís Reis, e da jor­na­lista Ivana Moura.

O Labo­ra­tó­rio de Lite­ra­tura & Crí­tica foi ide­a­li­zado pelo escri­tor e pro­fes­sor Wel­ling­ton de Mello, e conta com o patro­cí­nio do Sin­di­cato dos Pro­fes­so­res de Per­nam­buco (Sin­pro) e o apoio da Pre­fei­tura do Recife. A pro­posta do pro­jeto é, segundo Wel­ling­ton, pro­pi­ciar um espaço de debate vol­tado à crí­tica cul­tu­ral nos mais diver­sos veí­cu­los, seja nos perió­di­cos, na inter­net, entre outros. “Em pri­meiro momento, nos vol­ta­re­mos à crí­tica lite­rá­ria, mas que­re­mos dis­cu­tir tam­bém a crí­tica de uma forma mais ampla, o exer­cí­cio da crí­tica, que é algo difí­cil. A pro­posta ini­cial é de fazer­mos seis edi­ções, com um tema a cada mês”, explica Wellington.

Onde Está o Crí­tico de Tea­tro?”, tema deste mês, pro­cu­rou por em xeque a par­ti­ci­pa­ção e a impor­tân­cia do ofí­cio do crí­tico em rela­ção à des­mis­ti­fi­ca­ção de uma das mais com­ple­xas expres­sões artís­ti­cas, o tea­tro. Para o pro­fes­sor Luís Reis, o crí­tico de tea­tro atua dife­ren­te­mente de um repór­ter que ape­nas cobre uma peça e trans­forma isso num relato mera­mente obje­tivo. “O tea­tro é uma arte que tra­ba­lha com uma pro­fu­são de sig­nos. Existe o cená­rio, a luz, o figu­rino, as inter­pre­ta­ções, etc. E o papel do crí­tico, ao escre­ver sobre um espe­tá­culo, é fazer com que essa pro­fu­são de sig­nos se expanda, ampli­ando o diá­logo com o lei­tor. A crí­tica tem que raci­o­ci­nar, cons­truir uma linha de pen­sa­mento. Espera-se do crí­tico um olhar espe­ci­a­li­zado”, colocou.

A jor­na­lista Ivana Moura, assim como Reis, con­corda que o tra­quejo de um crí­tico de tea­tro é adqui­rido com o tempo, com a prá­tica, e, prin­ci­pal­mente, com o amor pelo tea­tro. “Não exis­tem esco­las espe­ci­a­li­za­das na for­ma­ção de crí­ti­cos de tea­tro. É neces­sá­rio expe­ri­ên­cia e tempo de estrada para ser crí­tico. O tea­tro tem mui­tos sig­ni­fi­ca­dos, e você tem que enten­der, do seu con­junto, um pouco do que cada coisa e do que aquilo está que­rendo dizer para o público espe­cí­fico daquele tempo e daquele lugar”, disse Ivana.

Em um for­mato de talk-show, o debate se dá num bate-papo des­con­traído, com a par­ti­ci­pa­ção de uma pla­téia, que tem a aber­tura para fazer per­gun­tas aos con­vi­da­dos. Entre as diver­sas ques­tões sur­gi­das, esta­vam o pro­cesso cri­a­tivo no tea­tro, a inter­net como veí­culo para a difu­são de infor­ma­ção sobre crí­tica e espe­tá­cu­los tea­trais, a inser­ção da aca­de­mia na aná­lise desse uni­verso, a adap­ta­ção de obras lite­rá­rias para o tea­tro, assim como o atual cená­rio da crí­tica de tea­tro no Bra­sil e no Estado, entre outros.

Num Her­milo Borba Filho lotado, sobra­ram per­gun­tas a serem res­pon­di­das. O que demons­tra o sucesso do Labo­ra­tó­rio e a impor­tân­cia da inte­ra­ção com o público em geral, uma das mar­cas pre­ten­di­das pelo pro­jeto. “É um espaço do exer­cí­cio da crí­tica e tam­bém um espaço de for­ma­ção. E o público exer­cita isso e cola­bora com essa for­ma­ção tam­bém atra­vés da sua par­ti­ci­pa­ção”, explica Wel­ling­ton de Mello.

A estu­dante de Letras, Thays Lima, esteve no evento e pre­tende acom­pa­nhar as pró­xi­mas edições. “A pro­posta é muito inte­res­sante. Por­que, pelo menos, pra mim, essa coisa da cri­tica lite­rá­ria sem­pre foi algo tão dis­tante, que eu nunca tive muito acesso, no sen­tido de saber qual é a dessa galera mesmo, sabe? De enten­der o porquê da crí­tica, como cri­ti­car, quais as fer­ra­men­tas que os crí­ti­cos usam”.

O Labo­ra­tó­rio de Lite­ra­tura & Crí­tica faz parte do Pro­grama de Exten­são da Uni­ver­si­dade Fede­ral de Per­nam­buco e tam­bém conta com o apoio da Lite­rato, Jema Pro­du­ções, revista Cris­pim, Inter­poé­tica e Sub­foco. A pró­xima edi­ção do pro­jeto será no dia 08 de junho, com a par­ti­ci­pa­ção dos poe­tas Miró e Fábio Andrade, deba­tendo sobre o tema “Poesia?”.

Link ori­gi­nal: http://www.recife.pe.gov.br/2010/05/12/critica

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Bastidores

Nota publi­cada no Caderno Vii­ver Dia­rio de Per­nam­buco, 24 de abril de 2010.

Coluna Bas­ti­do­res

E a turma da Fre­e­porto começa a se mexer para mon­tar a sua 2ª edi­ção. Para arre­ca­dar grana, o pes­soal já con­fir­mou um novo lei­lão de manus­cri­tos. Entre as aqui­si­ções estão os as pro­vas de Angu de san­gue, de Mar­ce­lino Freire, os ori­gi­nais de Laranja Seleta, de Nico­las Behr, e de Gali­leia, de Ronaldo Cor­reia de Brito. Nessa ver­são de 2006, o romance ven­ce­dor do Prê­mio São Paulo de Lite­ra­tura ainda se cha­mava Davi entre as feras.

O lei­lão, que antes fora bati­zado como Sara­pa­tel Lite­rá­rio, agora passa a se cha­mar Chá de Panela. Ele acon­tece no dia 25 de maio no Espaço M.U.D.A., onde haverá reci­tais com o grupo Dre­mel­gas e expo­si­ção de fotos da edi­ção de estreia da Freeporto.

Link ori­gi­nal: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/04/24/viver3_0.asp


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Entrevista no Jardins de literatura

Entrevista concedida à TV Globo, no quadro Jardins de Literatura, do NETV
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Laboratório #3 (parte 1)

Talk-show sobre literatura e crítica, gravado no Teatro Hermilo Borba Filho.
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Vari­a­ções do tema do outsider

Sou uma patética variação do tema do outsider. Cada vez mais percebo isso.
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Sobre literatura e tartarugas

Quem tem direito de impedir que as tartaruguinhas tentem se aventurar no mar?
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Autores leiloam seus originais

Matéria publicada no Jornal do Commercio, dia 25 de maio de 2010.
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Panela de chá — Leilão de manuscritos e originais de escritores

Evento acontece no Muda, próximo dia 25.
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Crítica teatral em debate no teatro Hermilo Borba Filho

Nota publicada no site da Prefeitura da Cidade do Recife.
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Bastidores

Nota publicada no Diario de Pernambuco, dia 24 de abril de 2010.
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