rss search

next page next page close

muralha

A minha avó, Con­cei­ção Cor­reia de Melo.



Con­ti­nue lendo…


next page next page close

Art r Rog rio

Poema do livro O peso do medo, 30 poe­mas em fúria .



Con­ti­nue lendo…


next page next page close

[BABEL] (poema)

Decidi ir publi­cando alguns poe­mas do [des­vir­tual pro­vi­só­rio], reescrevendo-os. Esse poema é um dos que eu gosto do livro. Lem­bro de tê-lo escrito após assis­tir ao filme Babel. Embora goste dele até hoje, sem­pre me inco­mo­da­ram alguns ver­sos, como “Te vejo, mundo/ esma­gado na tela”, que me pare­ciam muito óbvios e line­a­res. Cada vez acre­dito que para um poema menos é mais. Segue a ver­são mais recente de [BABEL].

É tama­nha a solidão

ilha

E tu a meu lado

ilha

E tu a meu lado

É a lín­gua do silên­cio
a do meu tempo
É a sala de espera do vazio
o tempo

O mundo
tela esma­gada
Mundo
simul­tâ­neo
multiplicado

E tu a meu lado

ilha

E tu a meu lado
É tama­nha a solidão

ilha

É tama­nha a solidão

E essa torre
meu dia-a-dia
Essa torre
que somos, náufragos

Esse sonho
que aban­do­na­mos
esco­ti­lha
para outro sonho
roubado

E tu a meu lado

ilha

E tu a meu lado


next page next page close

Oco (poema)

O desa­fio era escre­ver um poema de até três ver­sos sobre a foto acima. Escrevi, saiu fácil o hai­kai. O que não sai de minha mente é a imbe­ci­li­dade do ser humano. E a dor de ser um deles.

era negro o medo
negra a plá­cida revolta
eu silên­cio: oco


next page next page close

Haikai

Para Kazuo Ohno

Agora dor só
no deserto palco nu
um gesto lunar


next page next page close

Halley (poema)

A Johnny Martins

Quando era menino
Me fala­ram do cometa Hal­ley
Que apa­re­cia a cada 76 anos

Eu nasci em 76
e quando o cometa veio
era o ano de 85
e tinha incrí­veis 9 anos

Na névoa de minha infân­cia, lem­bro de não ter visto o Hal­ley
Ou tal­vez eu tenha esque­cido de vê-lo

Tenho agora 33
Como a idade que inven­ta­ram para Cristo quando mor­reu
Dizem que o Hal­ley, esse meu amigo fujão, virá em 2061
E eu terei 85

Ou sim­ples­mente não exis­ti­rei mais
para diluir qual­quer coin­ci­dên­cia arit­mé­tica desse poema
ou a lógica cós­mica
ou as ideias dos teóricos

que dirão ser esse um poema apó­crifo
ou muito drum­mond
ou muito ban­deira
ou que há mais polis­sín­de­tos que o nor­mal e perdi a mão

Ou para enter­rar de vez
as expec­ta­ti­vas dos paren­tes mais cha­tos
e a espe­rança dos ami­gos sinceros

Serei de novo vácuo
uma lem­brança ou uma foto aban­do­nada no orkut de alguém
ou pala­vras mudas nesse site
que insisto em alimentar

Eu mesmo um estra­nho visi­tante de mim

Sen­tado em alguma estrela
ou pre­en­chido de nada
à espera de um amigo que quis conhecer.


next page next page close

Mas ainda há o pai (poema)

A Osvaldo Braga

Mas ainda há o pai
na super­fí­cie
enrai­zada das coisas

O pai
no sub­ter­râ­neo
sor­riso da casa

O pai
pesado nos ombros
muti­la­dos da cria

O pai
e a ideia do pai
na ausên­cia inun­dada na sala

O pai
na can­sada e oblí­qua
som­bra do filho


next page next page close

Fotografia (poema)

Colin Shanks
agora quando a fúria já se faz ausên­cia volto ao ofí­cio de apagar-me ser só som­bra dis­si­par len­ta­mente toda von­tade grudar-me enfim ao frio inau­gu­ral das pare­des da casa verter-me em silên­cio assu­mir sem culpa o abismo deixar-me cap­tu­rar pelo ins­tan­tâ­neo oblí­quo da kodak acorrentar-me outra vez ao sótão ao sofá ao con­trole remoto à remota soli­dão da alcova ama­nhe­cer cada dia na mes­mís­sima cama calar calar calar e ser feliz eter­na­mente feliz foto­gra­fia ama­rela em velho álbum de família

Licença Creative Commons

Creative Commons License photo cre­dit: camn­je­a­na­cess


next page

muralha

Poema dedicado a minha avó.
article post

Art r Rog rio

Poema do livro O peso do medo, 30 poemas em fúria
article post

[BABEL] (poema)

Nova versão do poema, publicado em [desvirtual provisório].
article post

Oco (poema)

Respondendo a um desafio poético enviado por uma amiga.
article post

Haikai

Haikai escrito para Kazuo Ohno, no dia de sua morte.
article post

Halley (poema)

Poema inédito de Wellington de Melo.
article post

Mas ainda há o pai (poema)

Poema inédito de Wellington de Melo.
article post

Fotografia (poema)

Poema de O peso do medo, 30 poemas em fúria.
article post