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Crítica: Ilha do medo

O agente fede­ral Teddy Dani­els e seu par­ceiro, Chuck Aule, em sua pri­meira mis­são jun­tos, sur­gem em um car­gueiro em meio ao mar e a névoa. Des­tino: Shut­ter Island, uma ilha que abriga um hospital-prisão psi­quiá­trico e para onde são man­da­dos ape­nas casos de grave a gra­vís­si­mos. Mis­são: inves­ti­gar a fuga de uma detenta. Porém, os fun­ci­o­ná­rios, desde o dire­tor res­pon­sá­vel pela apli­ca­ção psi­quiá­trica, não pare­cem dis­pos­tos a coo­pe­rar. Tudo acres­cido das sus­pei­tas de Teddy, que con­fessa ao com­pa­nheiro ter vindo para a ilha após muito pes­qui­sar e cons­ta­tar que algo de obs­curo acon­te­cia ali.

O filme é um puro thril­ler, daque­les que real­mente cum­prem com sua fun­ção deter­mi­nada, não te tiram o olho da tela. Tra­ba­lha com o plano de fundo da Guerra Fria advinda recen­te­mente da Segunda Guerra Mun­dial. Tra­tando atra­vés de cla­ras recor­da­ções da mente de Teddy sobre a guerra e os acon­te­ci­men­tos, seguindo atra­vés alu­ci­na­ções trau­má­ti­cas, nas quais o dete­tive tem con­tato com sua mulher, fale­cida, segundo consta, em um incên­dio pro­vo­cado por um tal Andrew Laed­dis, quem o dete­tive afirma ter sido man­dado para Shut­ter Island depois de outro inci­dente incendiário.

A trama do thril­ler é sur­pre­en­dente e crô­nica, per­mi­tindo àque­les espec­ta­do­res tece­do­res de supo­si­ções e inves­ti­ga­do­res um tipo de orgasmo cine­ma­to­grá­fico. Tal­vez esse tipo de filme prove que séries qual CSI, por mais ela­bo­ra­das que sejam, são meras coad­ju­van­tes de fil­mes B, pois jamais serão capa­zes (pois se o fizes­sem, não seriam assis­ti­das de forma seri­ada) de sus­ten­tar o thril­ler, a inves­ti­ga­ção e a den­si­dade a que se é exposto no cinema.

um tipo de orgasmo cinematográfico”

E se citei os fil­mes B*, o Scor­sese não os esque­ceu, o tom ter­ror puro e o toque de câmera chi­cote estão lá, pelas mãos desse dire­tor genial que traça diver­sos gêne­ros e for­mas de mos­trar e guiar o público. Leva-nos atra­vés de um cami­nho de dúvi­das, con­tes­tando de forma kaf­ki­ana o louco e a soci­e­dade. Mas nada disso se com­para ao des­fe­cho, que não enver­go­nha o até o momento visto.

DiCa­prio mais uma vez vem pro­var que não é só um ros­ti­nho bonito, que não é um Zac Efron ou um Tay­lor Laut­ner da vida (se você não os conhece, não está per­dendo nada, nem tempo). Ele atua de forma coe­rente, numa mes­cla bem feita com o dire­tor e suas inten­ções, abri­lhan­tando o thril­ler, per­mi­tindo o ter­ror dra­má­tico, aumen­tando as dúvi­das que vão sur­gindo a cada momento que passa, com cada per­so­na­gem que entra em meio a his­tó­ria (com­pa­rando com séries mais uma vez: um Lost tenso e denso).

Essas dúvi­das que per­meiam as nos­sas men­tes inves­ti­ga­ti­vas e emo­ci­o­nais durante o trans­cor­rer da his­tó­ria, com a bela foto­gra­fia de Robert Richard­son (de Pla­toon e do que lhe deu o Oscar, O avi­a­dor) e a vasta e, não me vem outra pala­vra, mag­ní­fica tri­lha sonora que vai de Dinah Washing­ton até Music for Mar­cel Duchamp de John Cage, nos per­mi­tindo viver mais inten­sa­mente a Ilha do medo.

assista Ilha do medo (mais de uma vez)”

Fechando com uma atu­a­ção real­mente exi­gente de aplau­sos de Ben Kings­ley, como o Dr. John Cawley, o psi­qui­a­tra, num per­so­na­gem bem arqui­te­tado, ver­sá­til à fun­ção a que lhe for atri­buída. E um roteiro impe­cá­vel, ao menos ao meu ver. Assista Ilha do medo mais de uma vez, apre­cie os deta­lhes após de conhe­cer o des­fe­cho, inter­li­gue os pon­tos, eis que esse seria meu voto para Melhor Roteiro Adap­tado no Oscar. Trata-se de uma obra genial. E tai minha sin­cera dica: assista Ilha do medo (mais de uma vez).

*Aque­les que assis­tem mais cinema, dados aos clás­si­cos com Jesse James ou Durango Kid, o faro­este clás­sico, assim como os fil­mes de gangs­te­res e de hor­ror (esse último tem um joga­dor de peso inclu­sive, Ed Wood, decla­rado o pior cine­asta do mundo, sendo home­na­ge­ado por Tim Bur­ton e inter­pre­tado por Johnny Depp em um filme que leva o seu nome e é datado de 1994). Essa pro­du­ções eram fei­tas na Gower Street, em Hollywood, com orça­men­tos rela­ti­va­mente muito baixo e em pro­du­ções que gra­va­vam uma hora e se con­cluíam em dois dias. Abrindo um parên­tese: esse jeito de pro­du­zir pode ser visto muito hoje na grande mai­o­ria das pro­du­ções, diante dessa inde­pen­dên­cia do audi­o­vi­sual, vê-se bem isso cá em Per­nam­buco, onde vivo, e o nome que pode ser dado a isso não é fil­mes B, tal­vez fil­mes C, se não hou­ver outro clas­si­fi­ca­dor para o posto, mas isso é pro­ve­ni­ente do puro des­caso, provendo-nos uma arte vazia e idi­ota, se é que a arte pode ser isso, se é que dá para cha­mar, o que fazem alguns, de arte.

**Veja o trailer


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Crítica: O livro de Eli

Tudo come­çou quando eu que­ria assis­tir a meu filme sagrado das segun­das a tarde (quando o preço do ingresso chega a três reais) e não sabia o que ver. Olhei aten­ta­mente a lista de fil­mes e, ou eu já tinha assis­tido (até mais de uma vez) ao filme, ou não me pare­cia tão inte­res­sante assim. O livro de Eli era um des­ses. Olhei para cara o Den­zel Washing­ton (que ora acerta o alvo, porém nor­mal­mente erra, ou melhor acerta num poli­cial super­fi­cial) e nem repa­rei o Gary Old­man. Foi quando recebi um e-mail de Wel­ling­ton: “Assis­tiste? Que achaste?”. Res­pondi: “Vou assis­tir segunda no Plaza”. E assim foi.

Eli (Washing­ton) é um homem com um obje­tivo: che­gar a certo lugar no oeste – cuja ver­da­deira loca­li­za­ção nem ele sabe. A via­gem dele come­çou trinta anos antes dos acon­te­ci­dos na tela, quando algum tempo após a guerra e o grande cla­rão (quando a atmos­fera foi des­vir­gi­nada e para o sol não havia mais pro­te­tor solar) Eli saiu de algum lugar sub­ter­râ­neo, onde estava, e, andando pelo mundo devas­tado, ouviu uma voz que o guiou a um livro que deve­ria ser levado para o oeste.

Depois de mos­trar ao espec­ta­dor que Eli é bom de briga (mas não é bon­zi­nho não, é bom tipo muito), mostra-se tam­bém que ele não é o tipo jus­ti­ceiro fodás­tico, ao dei­xar pas­sar um estu­pro sem fazer nada. Mas sua cami­nhada muda o ritmo ao che­gar a uma cida­dela à lá faro­este, onde quem manda é Car­ne­gie (Old­man). Ele vive atrás de um livro espe­cí­fico, que segundo ele lhe daria pode­res para domi­nar os deses­pe­ra­dos, avan­çando seus limi­tes ter­ri­to­ri­ais imensamente.

Sem que­rer pare­cer spoi­ler, mas esse livro é a Bíblia Sagrada. E se não fosse pelo tra­çado argu­men­tá­rio daí em diante, o filme não pas­sa­ria de uma mis­tura Western-Sci-fi, que alguns menos pro­fun­dos tra­ta­riam como uma repro­du­ção de Mad Max.

O filme com­pleta o obje­tivo crí­tico do cinema. Não é como os demais fil­mes pós-apocalípticos que expli­cam tudo tim-tim-por-tim-tim por, na ver­dade, não terem lugar nenhum a che­gar. Há diver­sas mar­cas de des­trui­ção, mas pouco se sabe a res­peito, o dis­curso é tocado para o futuro, dei­xando a cargo de nós, espec­ta­do­res, con­clu­sões. Então fica-se a dúvida: acon­te­ceu uma guerra, mas por que? Será que foi uma guerra santa – e por­tanto esse fora o motivo para terem des­truído todas as cópias da bíblia?

Mas o debate é mais pleno ao que diz res­peito a Bíblia, fé e poder. Pois não é tão dis­tante de nós. O Eli quer aquele livro de pala­vras pode­ro­sas para levá-lo a um lugar onde sua fé manda, com fins, ao que se parece, altruísta, ou melhor, de fé. Já o Car­ne­gie (que no iní­cio do filme está a ler a auto­bi­o­gra­fia do Mus­so­lini, acho – tal­vez La mia vita), conhe­ce­dor do poder das pala­vras daquele livro e per­ce­bendo aque­les que se uti­li­za­vam daquele livro antes do apo­ca­lipse, seu poder, seus des­man­dos, sua falta de fé, ou esta detur­pada, como a dele – pois sabe da força, mas a trata para fins egoís­tas –, ape­nas o quer para domi­nar e ter poder.

O filme tam­bém traz uma foto­gra­fia azu­lada muito inte­res­sante – nada de ino­va­dor –, mas per­mite sen­tir tudo mais deserto, frio, dis­tante. Além de tri­lha bem legal – che­gando a ter seu momento cômico, para ali­viar um pouco a ten­são – quando uma senhora põe numa radi­ola Ring my Bell (Anita Ward). Mas sente-se que cer­tas par­tes do roteiro dei­xam a dese­jar, flo­res­cendo a sen­sa­ção de pouco apro­vei­ta­mento de uma boa his­tó­ria e bons recur­sos financeiros.

Os irmãos Allen e Albert Hughes (além do pro­jeto NY, I love you) vêm de From hell (2001), um filme inte­res­sante e com pon­tos bem acer­ta­dos, com Johnny Depp pro­ta­go­ni­zando. Acer­ta­ram, nova­mente, em diver­sos pon­tos, tanto no con­du­zir da his­tó­ria, como em inter­tex­tos com os Wes­terns; já vi umas três pes­soas arris­cando que daqui a alguns anos esse filme será um Cult, então serei a quarta: esse será um Cult cul­tu­ral para inter­tex­tos futu­ros em debates.

A atu­a­ção do Washing­ton é nor­mal e sem res­sal­vas, faz parte das pági­nas do filme como for­mando um bom con­junto – tal­vez valha admi­rar uma qua­li­dade dele nas cenas de ação, afi­nal são sem cor­tes. Já o Gary Old­man fan­tás­tico, num vilão daque­les no qual o estudo do per­so­na­gem é visí­vel. Ele tran­sa­ci­ona os sen­ti­men­tos no decor­rer do texto de uma forma real­mente bela, bem feita e digna de ser ovacionado.

Por fim, o fim. O des­fe­cho do filme, na opi­nião deste que vos escreve, é sim­ples­mente sublime. Não posso dizer mais, pois tem de ser uma crí­tica meio furada – mas, afi­nal, tam­bém não posso seguir isso para um ensaio. Vale a pena assis­tir. O livro de Eli (The book of Eli) não trata-se de uma dis­cus­são pro­funda dos temas, mas, sim, de um retrato do hoje dis­far­çado de um ama­nhã tene­broso; e nes­tes tem­pos cujo ir a fundo, o debate e o ques­ti­o­na­mento são mal­vis­tos, um bom retrato trans­gres­sor não cai mal.

*Veja o trailer


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Oscar 2010: the last season.

A cor­rida pelo Oscar teve seu fim nesse domingo (7/3) com a grande vitó­ria de Guerra ao ter­ror sobre Ava­tar. O grande cam­peão da noite levou seis dos nove Oscars a que con­cor­ria, entre eles Melhor filme e Melhor dire­ção. San­dra Bul­lock levou o de Melhor atriz e Jeff Brid­ges Ator. Como eu tor­cia, previ e satis­feito fiquei, o aus­tríaco Chris­toph Waltz, de Bas­tar­dos Ingló­rios, levou Coadjuvante.

Melhor filme: the Oscar goes to Guerra ao terror.

Pois é, um filme thril­ler de guerra, que trata sobre o vício da guerra e a guerra como vício, levou o prin­ci­pal prê­mio da noite. Foi com cer­teza um momento emo­ci­o­nante para toda a equipe. Fato: nin­guém pode­ria ima­gi­nar que dez meses depois de ser lan­çado no Bra­sil, dire­ta­mente em DVD (sem pas­sar pelos cine­mas), que Guerra ao ter­ror seria o ganha­dor do mais visado prê­mio cine­ma­to­grá­fico. Mas nas últi­mas sema­nas, ele foi ganhando na mai­o­ria dos fes­ti­vais e os holo­fo­tes se vol­ta­ram para ele. Na noite de domingo, ele bateu Ava­tar, o seu con­cor­rente direto e deten­tor do recorde de maior bilhe­te­ria, mais de 2,5 bilhões, enquanto ele torna-se o ven­ce­dor do Oscar com menor bilhe­te­ria da his­tó­ria, apro­xi­ma­da­mente 20 milhões – isso, mais de 250 vezes menos. Ava­tar con­cor­ria tam­bém em nove cate­go­rias e levou ape­nas três – Efei­tos visu­ais, Dire­ção de arte e cine­ma­to­gra­fia. Guerra ao ter­ror é, sim, o melhor filme feito até hoje sobre a guerra no Ira­que. E além de Melhor filme, levou tam­bém, Dire­ção, Mon­ta­gem, Roteiro Ori­gi­nal, Som e Edi­ção de som. Veja a crí­tica de Guerra ao Terror.

Melhor dire­ção: the Oscar goes to Kathryn Bigelow.

Bige­low diri­giu Guerra ao ter­ror de forma sublime, dando a guerra um olhar huma­ni­tá­rio, de den­tro, tal­vez, femi­nino. Ela foi a pri­meira mulher a levar o Oscar de Dire­ção. Tam­bém inco­mum é uma mulher nessa área nor­mal­mente domi­nada pelos homens que é a ação. Emo­ci­o­nada já fala de pla­nos para pró­xi­mas gra­va­ções, segundo ela seria na fron­teira de Argen­tina, Bra­sil e Para­guai e o roteiro seria do pró­prio Mark Boal.

Melhor roteiro ori­gi­nal: the Oscar goes to Guerra ao terror.

Mark Boal é o rotei­rista do grande cam­peão da noite. Ele é repór­ter e acom­pa­nhou um esqua­drão anti­bom­bas no Ira­que, que ren­deu uma repor­ta­gem para a revista Play­boy. Vive agora um pro­cesso mul­ti­mi­li­o­ná­rio junto ao filme de um sar­gento ame­ri­cano que afirma que o pro­ta­go­nista do filme foi base­ado nele.

Melhor ator: the Oscar goes to Jeff Bridges.

Inter­pre­tando um can­tor coun­try, Jeff Brid­ges levou o Oscar em sua quarta indi­ca­ção ao prê­mio. Ao rece­ber a esta­tu­eta das mãos da osca­ri­zada Kate Wins­let, ele agra­de­ceu a famí­lia e a equipe, “que mara­ci­lha que vocês trou­xe­ram o seu cora­ção para esta produção”.

Melhor atriz: the Oscar goes to San­dra Bullock.

Um dia depois de levar o Fram­bo­esa de ouro de Pior inter­pre­ta­ção femi­nina por Maluca pai­xão. Na noite de domingo, o osca­ri­zado Sean Penn entre­gou a esta­tu­eta para a atriz que aos 45 anos com­pleta 20 anos de car­reira, uma indi­ca­ção ao Oscar e… bem, um Oscar. O prê­mio lhe foi entre­gue por sua atu­a­ção em Um sonho pos­sí­vel, no qual inter­preta uma norte-americana rica que ajuda um ado­les­cente negro sem-teto a ser uma estrela do fute­bol americano.

Melhor ani­ma­ção: the Oscar goes to Up.

A Pixar levou mais uma vez. Esse ano foram cinco indi­ca­ções por Up, somando na his­tó­ria da empresa, 24 indi­ca­ções. Up – Altas aven­tu­ras foi o pri­meiro filme de ani­ma­ção a ser indi­cado para a prin­ci­pal cate­go­ria (Melhor filme) e na noite de domingo abo­ca­nhou os Oscars de Melhor filme de ani­ma­ção e Tri­lha sonora. Agora a Pixar tem, em sua estante, 8 estatuetas.

Melhor filme em lín­gua estran­geira: the Oscar goes to O segredo dos seus olhos

Um grande acerto da aca­de­mia. El secreto de sus ojos trata-se de um filme sublime e bem diri­gido. Embora não tenha des­gos­tado do ale­mão A fita branca devo afir­mar que o filme argen­tino é o tipo de filme que não deve dei­xar de ser assis­tido. Há um for­mi­dá­vel equi­lí­brio entre um thril­ler sutil, um drama bem aca­bado, um romance humano e o gênero crime é irre­sis­tí­vel com revi­ra­vol­tas dig­nas de todos os meus elogios.

…and the Oscar goes to…

Melhor filme

Ava­tar”

The Blind Sinde”

Dis­trito 9?

Edu­ca­ção”

“Guerra ao Teror” – VENCEDOR

Bas­ta­dos Ingflórios”

Pre­ci­osa”

Um Homem Sério”

Up – Altas Aventuras”

Amor Sem Escalas”

Melhor dire­tor

James Came­ron, “Avatar”

Kathryn Bige­low, “Guerra ao Ter­ror” – VENCEDOR

Quen­tin Taran­tino, “Bas­tar­dos Inglórios”

Lee Dani­els, “Preciosa”

Jason Reit­man, “Amor Sem Escalas”

Melhor atriz

San­dra Bul­lock, “The Blind Side” VENCEDOR

Helen Mir­ren, “The Last Station”

Carey Mul­li­gan, “Educação”

Gabou­rey Sidibe, “Preciosa”

Meryl Streep, “Julie & Julia”

Melhor ator

Jeff Brid­ges, “Crazy Heart” VENCEDOR

George Clo­o­ney, “Amor Sem Escalas”

Colin Firth, “A Sin­gle Man”

Mor­gan Fre­e­man, “Invictus”

Jeremy Ren­net, “Guerra ao Terror”

Melhor ator coadjuvante

Matt Damon, “Invictus”

Woody Har­rel­son, “The Messenger”

Chris­topher Plum­mer, “The Last Station”

Stan­ley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”

Chris­toph Waltz, “Bas­tar­dos Ingló­rios” VENCEDOR

Melhor atriz coadjuvante

Pene­lope Cruz, “Nine”

Vera Far­miga, “Amor Sem Escalas”

Maggi, “Crazy Heart”

Anna Ken­drick, “Amor Sem Escalas”

Mo’Nique, “Pre­ci­osa” VENCEDOR

Melhor ani­ma­ção

O Fan­tás­tico Sr. Raposo”

Cora­line e o Mundo Secreto”

“Up – Altas Aven­tu­ras” VENCEDOR

A Prin­cesa e o Sapo”

The Secret of Kells”

Melhor roteiro original

Guerra ao Ter­ror” VENCEDOR

Bas­tar­dos Inglórios”

The Mes­sen­ger”

Um Homem Sério”

Up – Altas Aventuras”

Melhor roteiro adaptado

Dis­trito 9?

Edu­ca­ção”

In the Loop”

“Pre­ci­osa” VENCEDOR

Amor Sem Escalas”

Melhor filme estrangeiro

Teta Assus­tada”, Peru

A Fita Branca”, Alemanha

O Pro­feta”, França

Ajami”, Israel

“O Segredo de Seus Olhos”, Argen­tina VENCEDOR

Melhor dire­ção de arte

“Ava­tar” VENCEDOR

O Ima­gi­ná­rio do Dr. Parnassus”

Nine”

Sher­lock Holmes”

A Jovem Victoria”

Melhor foto­gra­fia

“Ava­tar” VENCEDOR

Harry Pot­ter e o Enigma do Príncipe”

Guerra ao Terror”

Bas­tar­dos Inglórios”

A Fita Branca”

Melhor figu­rino

Bri­lho de uma Paixão”

Coco Antes de Chanel”

O Ima­gi­ná­rio do Dr. Parnassus”

Nine”

“A Jovem Vic­to­ria” VENCEDOR

Melhor edi­ção

Ava­tar”

Dis­trito 9?

“Guerra ao Ter­ror” VENCEDOR

Bas­tar­dos Inglórios”

Pre­ci­osa”

Melhor maqui­a­gem

Il Divo”

“Star Trek” VENCEDOR

A Jovem Victoria”

Melhor tri­lha sonora

Ava­tar”

O Fan­tás­tico Sr. Raposo”

Guerra ao Terror”

Sher­lock Holmes”

“Up – Altas Aven­tu­ras” VENCEDOR

Melhor can­ção original

A Prin­cesa e o Sapo”, com “Almost There”

A Prin­cesa e o Sapo”, com “Down in New Orleans”

Paris 36?, com “Loin de Paname”

Nine”, com “Take It All”

“Crazy Heart”, com “The Weary Kind” VENCEDOR

Melhor docu­men­tá­rio de longa-metragem

Burma VJ

The Cove” VENCEDOR

Food, Inc”

The Most Dan­ge­rous Man in America”

Which Way Home”

Melhor docu­men­tá­rio de curta-metragem

China’s Unna­tu­ral Disas­ter: The Tears of Sichuan Province”

The Last Cam­paign of Gover­nor Booth Dardner”

“Music by Pru­dence” VENCEDOR

Rab­bit à la Berlin”

PS: Esse ano a Aca­demy dei­xou de uti­li­zar o jar­gão “the Oscar goes to…”, mas con­ti­nuei usando cá. Vol­ta­ram a uti­li­zar “the win­ner is…”.


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Avatar e o 3D

Ava­tar não ape­nas um filme, dizê-lo seria blas­fe­mar tal obra, que se trata sim de uma poe­sia, não qual­quer poe­sia, é uma poe­sia para os olhos e para a mente. Mer­gu­lhei nesse fas­ci­nante mundo em três dimen­sões e só saí por­que des­li­ga­ram o pro­je­tor. É algo fan­tás­tico ver pro­fun­di­dade e movi­men­ta­ção. A todo mor­tal deve­ria ser dado o direito e a con­di­ção de pre­sen­ciar a sétima arte nesse for­mato tão cheio de pos­si­bi­li­da­des. Hoje sei que senti algo seme­lhante à emo­ção de alguém que viu pela pri­meira vez ima­gem em movi­mento, ou então cores, pois vê-los assim, tão mais reais e pró­xi­mos a nós é o novo passo da evolução.

Não são só as três dimen­sões fazem de Ava­tar algo belo e fas­ci­nante, pois que senão esta­ria dizendo o mesmo de The power of love de 1922 e não o faço. Embora se trate de uma espé­cie de Pocahon­tas, encon­tro de dois mun­dos etc, além de um bocado de cli­chês, o filme não nos deixa per­der o inte­resse. A situ­a­ção tão moderna da pre­ser­va­ção ambi­en­tal e da ação incon­se­quente do homem faz do filme algo real­mente impor­tante de ser apre­ci­ado do ponto de vista social.

O cui­dado com os deta­lhes, o cari­nho com cada ser de uma lua orbi­tante em Alpha Cen­tauri, a 4,4 anos-luz da Terra, cha­mada Pan­dora – atesta-se que Came­ron e sua equipe se debru­ça­ram durante 4 anos na cri­a­ção de Pan­dora. Pan­dora pode ser tida como a terra da dig­ni­dade e beleza, se tido pela filo­so­fia pagã. Já sua cober­tura vege­tal pura­mente tro­pi­cal pode ser uma lem­brança dos tem­pos de Vietnã, como um aviso para pro­te­ger­mos a Amazô­nia. A bela liga­ção entre as cri­a­tu­ras que habi­tam a lua con­sigo e com as outras cri­a­tu­ras em com­pa­ra­ção a incon­sequên­cia do ser humano dá todo o toque crí­tico ao filme. O pro­ta­go­nista, Jake Sully, em um deter­mi­nado momento, fala para a Árvore da Almas, uma espé­cie de espí­rito da mãe natu­reza, que ela tem de agir para sal­var o pla­neta, pois em seu pla­neta, os huma­nos, já des­truí­ram a sua mãe. Se qui­ser ler o enredo do filme, cli­que aqui.

Embora tenha sido o grande ven­cido durante a noite do Bafta, levando ape­nas o prê­mio em duas cate­go­rias, Ava­tar levou duas das 4 indi­ca­ções que lhe foi feita ao Gol­den Globe® (Melhor Dire­ção para o Came­ron e Melhor Filme de Drama) e está con­cor­rendo em 9 cate­go­rias ao Oscar®, que acon­te­cerá no dia 7 de março. O filme teve um orça­mento básico de pro­du­ção de US$237 milhões, tota­li­zando meio bilhão de dóla­res com o inves­ti­mento na parte de tec­no­lo­gia e na parte de mar­ke­ting. Em com­pen­sa­ção, até agora lide­rou as bilhe­te­rias desde sua estreia, tota­li­zando uma arre­ca­da­ção de US$2,5 bilhões, isso, bilhões. Já a res­peito de uma pos­sí­vel con­ti­nu­a­ção, sim, está con­fir­mada – embora não me agrade muito –, James Came­ron já con­tra­tou o pro­ta­go­nista e disse a res­peito: “Em ter­mos de negó­cios, faz sen­tido con­si­de­rar um arco de dois ou três fil­mes. As pai­sa­gens e per­so­na­gens gera­dos por com­pu­ta­dor leva­ram um tempo enorme para serem cri­a­dos. Seria um des­per­dí­cio não usa-los de novo”.

James Came­ron tra­ba­lha em Ava­tar desde 1994. As fil­ma­gens deve­riam ter come­çado logo após Tita­nic, seu último filme, e o filme deve­ria ter sido lan­çado 10 anos atrás. Só em 2006 Came­ron veio a desen­vol­ver a cul­tura de Pan­dora (ex.: a lín­gua dos habi­tan­tes). Durante esses anos que sepa­ra­ram todo o pro­jeto da pelí­cula, foi desen­vol­vido pro­gra­mas e câme­ras espe­ci­al­mente para nos pos­si­bi­li­tar tão sen­sí­vel vivên­cia, sendo assim Ava­tar é um marco na his­tó­ria do cinema.

No fundo acho que é uma expe­ri­ên­cia sem igual e, como já disse, todos deve­riam ter. Sendo assim, só me detive a alguns núme­ros e peque­nos comen­tá­rios, é algo que indico sem dizer muito o porquê, devo dige­rir tudo isso. Sendo assim tam­bém deixo um pro­testo, é um absurdo no ponto de vista artís­tico e uma inco­e­rên­cia e falta de visão do ponto de vista econô­mico só haver uma sala com capa­ci­dade para exi­bir em 3D no Recife.

Veja o trailer!


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Os estranhos caminhos do cinema

Pouco sabia-se sobre o futuro cinema, quando a cine­ma­to­gra­fia ainda era res­trita a gara­gens e arma­zéns logo após os irmãos Lumi­erè no fim do século 19. Naquela época, cinema não era arte e quem aden­trava os recin­tos estava ape­nas curi­oso pela ima­gem em movi­mento. Mas os cami­nhos do cinema são estra­nhos e logo começou-se a pro­du­zir para a bur­gue­sia indus­trial e logo tínha­mos salas luxu­o­sas e depois som, mais adi­ante as coi­sas foram ficando colo­ri­das, então o preto e branco con­vi­via com o colo­rido, como hoje começa o 2D a con­vi­ver com o 3D. Estra­nhos são os cami­nhos do cinema que fazer Ava­tarGuerra ao ter­ror estar frente a frente na pre­mi­a­ção do Oscar que ocorre nesse domingo, 7/3.

Em 2003, Michael Moore no palco do Kodak The­a­ter, palco para o espe­tá­culo de pre­mi­a­ção desse domingo, enquanto rece­bia o Oscar de Melhor Docu­men­tá­rio, fez um dis­curso que dizia assim:

“Vive­mos numa época em que uma elei­ção fic­tí­cia elege um pre­si­dente fic­tí­cio. Vive­mos numa época em que temos um homem nos man­dando para a guerra por razões fic­tí­cias, seja a fic­ção da fita ade­siva [o governo havia pedido aos ame­ri­ca­nos terem fitas ade­si­vas em casa para se pro­te­ger de ata­ques bio­ló­gi­cos por ter­ro­ris­tas] seja a fição dos aler­tas laran­jas [nível de alerta esti­pu­lado pelo governo para alto risco de ata­ques]. Nós somos con­tra esta guerra, Sr. Bush. Que ver­go­nha, Sr. Bush, que ver­go­nha! O Papa e todo o mundo está con­tra você! Seu tempo aca­bou!”

Após esse eloqüente dis­curso con­tra a cha­mada e maqui­ada guerra ao ter­ror, Michael Moore foi vaiado.

Sete anos depois, o pos­sí­vel, bem pos­sí­vel, grande cam­peão da noite é um filme que trata do mesmo assunto. O que faz esse filme não ser vai­ado agora? O que faz desse filme algo mais valo­ri­zado que o dis­curso de Sr. Moore? Os cami­nhos do cinema não são tão estra­nhos quando vis­tos os cami­nhos do mundo, da nossa sociedade.

O cinema acom­pa­nhou a his­tó­ria mun­dial. Estava eu nessa terça-feira, 02/3, num evento orga­ni­zado pelo Dire­tó­rio Aca­dê­mico de His­tó­ria, na UFPE, onde o pro­fes­sor Ale­xan­dre Figuerôa, de forma ins­pi­ra­dora, tra­tou do tema, da poli­ti­za­ção da arte; men­ci­o­nou desde o cinema polí­tico, pan­fle­tá­rio, pro­pa­gan­dista, qual feito pelo governo da URSS ou dos fas­cis­tas, ou no cinema mais maqui­ado e cheio de sen­tido polí­tico. E, sim, o cinema acom­pa­nha o tão estra­nho cami­nha da humanidade.

Porém, o cinema pos­sui um cami­nho muito mais raci­o­nal, na busca duma ver­dade cine­ma­to­grá­fica para que sobre­viva fazendo revo­lu­ções. Vê-se, agora, um filme 2D, que é o Guerra ao ter­ror, frente a um for­mi­dá­vel tec­ni­ca­mente e 3D, Ava­tar, que deve levar a maior parte dos prê­mios téc­ni­cos a que con­corre. Mas tam­bém antes, quando saiu da gara­gem para as salas luxu­o­sas e transformou-se em indús­tria e arte. Ou quando ganhou cará­ter pan­fle­tá­rio e não foi des­truído pelos dita­do­res, qual Hitler, Var­gas, Sta­lin, e, sim, finan­ci­ado – as mais fabu­lo­sas obras de Ser­gei Eisens­tein são fruto desse período e dessa ligação.

Já nossa soci­e­dade, não. Não bus­ca­mos essa sobre­vi­vên­cia dessa forma. Não que­re­mos enten­der nos­sos cami­nhos, não a grande massa. Então vamos na maré. Repare bem que em 2003 não só o Moore, mas ele tam­bém, falava con­tra essa guerra e até hoje ela não aca­bou. Mudou? Sim. Mas só agora as pes­soas se aper­ce­be­ram dos fatos. Esse hiato entre pes­soas como Michael Moore e aque­las de lenta per­cep­ção é que faz os cami­nhos do mundo serem tão tão tão estranhos.

E sendo os cami­nhos do cinema somente estra­nhos. Guerra ao ter­ror é minha aposta para o Melhor filme no Oscar. Tal fato pode não vir a ocor­rer e a mate­má­tica expli­ca­tiva é sim­ples: dez fil­mes con­cor­rem ao prê­mio de Melhor; mas pode­mos divi­dir em dois tipos de votos, que se adap­tam ao estilo do filme e do votante, um grupo de fil­mes seria com­posto por Ava­tar e Dis­trito 9, o Bas­tar­dos Ingló­rios fica em cima do muro, não per­ten­cendo a nenhum dos dois, e o outro grupo leva o resto, ou seja, além de Guerra ao Ter­ror (que na ver­dade é meio em cima do muro tam­bém), Pre­ci­osaUpAmor sem Esca­lasEdu­ca­çãoUm homem sérioO lado cego. Então os votos das pes­soas que são mais ins­ti­ga­das na fic­ção mais pesada, vão para Ava­tar e pronto – embora eu tenha achado bas­tante cri­a­tivo o Dis­trito 9 –, já os em cima do muro, aque­les elei­to­res mais fle­xí­veis, se divi­di­riam muito bem esse ano, e a massa que vota­ria no Guerra ao ter­ror, fica bem divi­dida, pois há mui­tos fil­mes que valo­ri­zam graça, beleza e soci­e­dade. Ou seja, Guerra ao ter­ror ganha o Oscar se os elei­to­res não dividirem-se demais.

Já o Oscar de Melhor Dire­ção, deve ir para o James Came­ron, embora esteja entre ele, Taran­tino (Bas­tar­dos Ingló­rios) e Kathryn Bige­low (Guerra ao ter­ror). Mas o Came­ron é cativo da aca­de­mia e esse é seu pri­meiro filme depois de Tita­nic, pelo qual ganhou esse mesmo prêmio.


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Crítica: Guerra ao terror

Em 1776, Guerra da Inde­pen­dên­cia, em 1861, Guerra Civil, no século XX, 1ª e 2ª Guerra Mun­dial, Guerra do Vietnã, Guerra do Golfo – isso sem tra­tar do con­texto geral, Guerra Fria –, e agora, no século XXI, a Guerra ao Ter­ror. Os ame­ri­ca­nos são vici­a­dos em guerra, não con­se­guem não per­der a prá­tica e assim como soci­e­da­des são viciá­veis, pes­soas tam­bém o são. A guerra é um vício (Chris Hed­ges, em War is a force thas gives us mea­ning). Con­cor­rendo a 9 Oscars, inclu­sive nas duas prin­ci­pais cate­go­rias, Guerra ao ter­ror é sobre o vício da guerra, sobre guerra e sobre pessoas.

Wil­liam James é um sar­gento que vem ocu­par um posto de comando na equipe Bravo, cujo antigo lider mor­reu em ação. A Bravo é for­mada por sol­da­dos volun­tá­rios e está há 38 dias da dis­pensa. O tra­ba­lho da equipe é desar­mar bom­bas e James, dife­rente mente de seu ante­ces­sor, é empol­gado e incon­seqüente, pronto a con­cluir sua mis­são a qual­quer custo; o que causa des­con­forto na equipe. Durante uma guerra admi­nis­tra­tiva, sem sen­tido, os com­ba­ten­tes ten­tam encon­trar moti­vos para estar ali.

“A guerra é um vício”

Embora não haja qual­quer ino­va­ção, nada de real­mente cri­a­tivo, no tra­ba­lho da Kathryn Bige­low, que traz um filme de tra­çado sim­ples, que con­se­gue, porém, alcan­çar seus rasos, mas inte­res­san­tes, obje­ti­vos. A guerra é um vício. Quando volta para casa, James, está lavando cogu­me­los na pia de casa e começa a falar sobre a guerra com a esposa, ela o inter­rompe mandando-o cor­tar a cenora para ela; e quando lavar cogu­me­los e corta ceno­ras já não são o sufi­ci­ente, se des­co­bre depen­dente do que lhe mar­tela o cére­bro, James é um vici­ado no com­bate, na guerra.

Falta pro­fun­di­dade na abor­da­gem psi­co­ló­gica de James, que pode­ria ser muito mais explo­rada, mas o filme se limita a mos­trar. Embora, a cena citada no pará­grafo ante­rior, embora a liga­ção de James com o menino ira­qui­ano. Já a nar­ra­tiva é con­cisa e ins­ti­gante, o tra­ba­lho da dire­tora pode não se cri­a­tivo, mas é sublime em sua habi­li­dade de guerra, sendo Guerra ao ter­ror equi­li­brado em seus memo­rá­veis momen­tos thril­ler e no bem ela­bo­ra­dos momen­tos dra­má­ti­cos; fazendo de cenas real­mente lon­gas, algo que puxa você; mere­cendo assim a indi­ca­ção ao Oscar de Melhor Roteiro Ori­gi­nal e Direção.

Jeremy Ren­nes em meio a tan­tos fios para cor­tar no desar­mar das bom­bas con­corre ao Oscar de melhor ator por Will James. E real­mente sua atu­a­ção é con­sis­tente. A foto­gra­fia é bonita, dá gosto de ver, é rea­lista e con­creta, em um tra­ba­lho exato do Berry Ackroyd, de Sweet six­teen (tam­bém con­corre ao Oscar, mas não é pra tanto). Tam­bém con­cor­rente direto de Ava­tar além de Melhor filme, Dire­ção e Foto­gra­fia, em Mon­ta­gem, Tri­lha sonora, Edi­ção de som e Mixa­gem de som. Foi o grande ven­ce­dor do Bafta e corre para o Oscar à galope. No pró­ximo post, deve­rei falar do que acho do Oscar entre Ava­tar e Guerra ao ter­ror, dois fan­tás­ti­cos fil­mes, cada um em sua área. Vale assis­tir.


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Notícias: Bafta e Berlim

Nesta semana, notí­cias de dois gran­des prê­mios do cinema mun­dial, o resul­tado final do Fes­ti­val de Ber­lim e do Bafta, da Aca­de­mia Bri­tâ­nica de Cinema.

O prín­cipe Wil­liam, segundo suces­sor do trono inglês, assu­miu o cargo de Pre­si­dente da Aca­de­mia Bri­tâ­nica de Cinema, subs­ti­tuindo Richard Atten­bo­rough, e seguindo os pas­sos doa avô, o Duque de Edim­burgo, que foi o pri­meiro pre­si­dente da Aca­de­mia, isso em 1959. Embora eu seja igno­rante à liga­ção do mem­bro real com o cinema e da sua com­pe­tên­cia para um cargo que julgo de grande impor­tân­cia para qual­quer soci­e­dade, torço para não ser uma nome­a­ção seme­lhante àque­las que ocor­rem no Con­gresso Naci­o­nal Bra­si­leiro vez por outra.

Esta­tu­eta do Bafta

Ainda no Bafta, o filme Guerra ao ter­ror (que será cri­ti­cado por esse que voz escreve em alguns dias), levou o melhor filme e melhor dire­tor, no caso, dire­tora, Kathryn Bige­low, além de cine­ma­to­gra­fia (vulgo foto­gra­fia), edi­ção e som. O prê­mio de melhor atriz e ator fica­ram, res­pec­ti­va­mente, com Carey Mul­li­gan, de An edu­ca­tion, e Colin Firth, de filme dos irmãos Cohen, A sin­gle manChris­toph Waltz, sobre quem comen­tei no post pas­sado, e para quem vai toda minha tor­cida quando o assunto é Ator Coa­du­vante. Esse foi o único que o Bas­tar­dos Ingló­rios levou. Ape­nas dois levou o tido como grande ven­cido da noite, Ava­tar – do qual vou­fa­lar deli­ci­o­sa­mente no pró­ximo post.

Em todo fes­ti­val há certo fris­son por aquela indi­ca­ção que não se ache muito justa, sem­pre mais par­cial que impar­cial. Porém há cer­tos momen­tos que o fris­son não acon­tece sim­ples­mente por só res­tar o pasmo silên­cio. O Bafta de Atriz ascen­dente (ou atriz reve­la­ção) foi para Kris­ten Stewart, de Lua Nova, con­ti­nu­a­ção da Saga teen e espe­cu­la­tiva Cre­pús­culo. Cá pra nós, tal prê­mio é bem devido àque­les que estão a cres­cer artis­ti­ca­mente, caindo bem na cena aquela atriz não tão inse­rida na indús­tria cine­ma­to­grá­fica e de quem não se espera uma grande atu­a­ção. Porém a ques­tão é que ela con­fir­mou as expec­ta­ti­vas, numa atu­a­ção que não se pode clas­si­fi­car nem como boa.

O Urso de Ouro é desig­nado à cate­go­ria Melhor Filme e os Ursos de Prata, às demais.

O Fes­ti­val de Ber­lim é curi­oso, pelo seu aspecto polí­tico, pelo seu aspecto cine­ma­to­grá­fico, um evento real­mente inter­na­ci­o­nal. Pra come­çar, o ira­ni­ano Jafar Panahi, ven­ce­dor de diver­sos prê­mios inter­na­ci­o­nais, inclu­sive o Urso de Prata do Fes­ti­val em 2006, foi proi­bido de dei­xar seu país natal para dar uma pales­tra cujo tema era Cinema ira­ni­ano: pre­sente e futuro. O Polanski, um dos gran­des dire­to­res de nosso tempo, teve sua dire­ção em The ghost wri­ter pre­mi­ada com o Urso de Prata. Enquanto os pro­du­to­res rece­biam o prê­mio, o dire­tor per­ma­ne­cia em sua pri­são domi­ci­liar na suíça, onde está preso desde que foi rece­ber um prê­mio pelo con­junto de sua obra no ano pas­sado. Polanski não podia ir ao EUA por causa de um con­fesso crime de relacionar-se ili­ci­ta­mente com uma menina de menos de 13 anos em mea­dos da década de 1970. Até sua pri­são, ano pas­sado, per­ma­ne­ceu exi­lado em seu país natal, a França. Hoje, espera a deci­são por sua extra­di­ção aos Esta­dos Uni­dos, onde será for­mal­mente jul­gado por pedofilia.

Bafta:

 

Melhor filme:

Guerra ao terror”

Melhor atriz:

Carey Mul­li­gan (“Educação”)

Melhor ator:

Colin Firth (“A Sin­gle Man”)

Melhor dire­tor:

Kathryn Bige­low (“Guerra ao terror”)

Melhor filme estran­geiro:

Un Prophète”

Melhor filme de ani­ma­ção:

Pete Doc­ter (“Up – Altas aventuras”)

Melhor roteiro adap­tado:

Jason Reit­man e Shel­don Tur­ner (“Amor sem escalas”)

Atriz reve­la­ção:

Kris­ten Stewart

Melhor desing de pro­du­ção:

Rick Car­ter, Robert Strom­berg e Kim Sin­clair (“Avatar”)

Melhor roteiro ori­gi­nal:

Mark Boal (“Guerra ao terror”)

Melhor filme bri­tâ­nico:

Fish tank”

Melhor atriz coad­ju­vante:

Mo’nique (“Pre­ci­osa”)

Melhor cabelo e maquiagem:

Jenny Shir­core (“The young Victoria”)

Melhor figu­rino:

Sandy Powell (“The young Victoria”)

Melhor ator coadjuvante

Chris­toph Waltz (“Bas­tar­dos inglórios”)

Melho­res efei­tos espe­ci­ais:

Ava­tar ”

Melhor foto­gra­fia:

Barry Ackroyd (“Guerra ao terror”)

Prê­mio espe­cial de con­tri­bui­ção ao cinema:

Joe Dun­ton

Melhor edi­ção:

Guerra ao terror”

Melhor som:

Guerra ao terror”

Melhor tri­lha sonora:

Michael Giac­chino (“Up — Altas aventuras”)

Melhor curta de ani­ma­ção:

Mother of many”

Melhor curta:

I do air”

Melhor dire­tor estre­ante:

Dun­can Jones (“Moon”)

Fes­ti­val de Berlim:

 

Urso de Ouro:

Honey” (Tur­quia), de Semih Kapla­no­glu

Urso de Prata para melhor diretor:

Roman Polanski (“O Escri­tor Fantasma”)

Ber­li­nale Kamera:

Yoji Yamada (“About Her Brother”)

Prê­mio para melhor filme de estreia:

Sebbe” (Sué­cia), de Babak Najafi

Prê­mio Alfred Bauer:

If I Want Whis­tle, I Whis­tle” (Romê­nia), de Flo­rin Serban

Urso de Prata para melhor roteiro:

Wang Quan’an e Na Jin (“Apart Together”)

Urso de Prata para excep­ci­o­nal con­tri­bui­ção artística:

Pavel Kos­to­ma­rov, dire­tor de foto­gra­fia (“How I Ended This Summer”)

Urso de Prata para melhor ator — “ex-aequo”:

Gri­go­riy Dobry­gin e Ser­gei Pus­ke­pa­lis (“How I Ended This Summer”)

Urso de Prata para melhor atriz:

Shi­nobu Tera­jima (“Caterpillar”)

Urso de Prata — Grande Prê­mio do Júri:

If I Want To Whis­tle, I Whis­tle” (Romê­nia), Flo­rin Serban


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Crítica: Bastardos Inglórios

Sabe, falar com gênios, ou seja, pes­soas que estão não só além de suas capa­ci­da­des, mas tam­bém das de qual­quer outro é algo ao mesmo tempo com­pli­cado e exci­tante: com­pli­cado, pois se trata de algo não pal­pá­vel para si; exci­tante, pois de alguma forma agrada e dá pra­zer a sedenta alma artís­tica e inte­lec­tual do ser humano (embora nem todos com­par­ti­lhem desse dom inato à espé­cie). Então… pre­sen­ciar a obra de um gênio é exci­tante, pois trata o impal­pá­vel sur­gindo aos seus olhos; falar sobre ela é com­pli­cado, pois não se encon­tra pala­vras para expres­sar tudo que se quer nem há coe­rên­cia num todo de um texto nem espaço para tal quando se quer falar.

Pois bem. Evito, dou des­cul­pas, jogo pra lá, pra cá, para aculá. Tento de tudo para evi­tar de falar cer­tas obras, pois me depa­ra­rei com situ­a­ções com­pli­ca­das. Até hoje, por exem­plo, já con­se­gui fugir de fil­mes como Swe­e­ney Todd, O casa­mento de Rachel, Cava­leiro das tre­vas, entre outros (nem pre­ciso dizer que ainda não assisti Ava­tar por esse motivo, por ser uma des­culpa – e, agora, não há melhor des­culpa que a que­bra do equi­pa­mento 3D do Box Gua­ra­ra­pes). Toda­via o Oscar® está aí e tem hora que não dá para fugir, temos de tra­ba­lhar, afi­nal. É aí que surge hoje a pelí­cula Inglou­ri­ous Bas­terds (Bas­tar­dos ingló­rios), do genial Quen­tin Taran­tino.

Odi­ado por uns, ado­rado por outros (devo já ter bem me posi­ci­o­nado: tenho um grande res­peito por), Quen­tin Taran­tino é um dos gran­des dire­to­res de nosso tempo. Sua obra não é só motivo de estudo de uni­ver­si­tá­rios, ana­lo­gia de crí­ti­cos, ódio e amor de espec­ta­do­res, sua obra é eterna. Desde o polê­mico e taran­ti­ni­ano Pulp Fic­tion até Bas­tar­dos Inglórios.

Essa não é uma obra bri­lhante por acaso. É fruto de um exce­lente e bem amar­rado roteiro escrito pelo pró­prio Taran­tino e seu fan­tás­tico tino para diá­lo­gos. O que nos dá o pri­meiro capí­tulo do filme, ocu­pando os vinte pri­mei­ros minu­tos do filme, e tra­zendo o Cel. Hans Landa em sua busca na casa de um cam­po­nês fran­cês sus­peito de abri­gar judeus. Não só um diá­logo bilín­gue sem nenhuma ver­go­nha de ser o que é, como tam­bém um exce­lente intér­prete: Chris­toph Waltz (esse é um dia­mante lapi­dado, fan­tás­tico, fala qua­tro idi­o­mas no filme e é flu­ente em três deles; dá vida a Landa de forma bri­lhante, me fal­tam pala­vras, um per­so­na­gem que com toda a cer­teza trará mui­tas cópias con­sigo daqui pro futuro, e me vejo feliz por essa joia estar sendo reco­nhe­cida, já levou em Can­nes Melhor Inter­pre­ta­ção Mas­cu­lina e no Globo de Ouro, Melhor Inter­pre­ta­ção Mas­cu­lina de Ator Coad­ju­vante, apos­ta­ria nele nessa última cate­go­ria no Oscar® — quem sabe a Aca­de­mia não se rende a tal talento).

Desde a pri­meira cena até o grand finale o filme mos­tra que não é con­ven­ci­o­nal, que não está ali para ser um filme de rea­li­dade raci­o­nal, da rea­li­dade da vida real, coti­di­ana, o filme mostra-se sem con­tro­vér­sias ser pura­mente com­posto de rea­li­dade fíl­mica. Não deixando-nos gri­la­dos com o final, tal­vez atô­ni­tos… essa é uma ten­dên­cia dos fil­mes com algum fator his­tó­rico de hoje, mudar o final, alte­rar a his­tó­ria (um exem­plo pró­ximo foi o Wat­ch­men). Outro des­ta­que ao estilo do pró­prio Taran­tino pode ser ape­nas uma cons­ta­ta­ção. A tri­lha musi­cal de filme de faro­este. Os nomes dos per­so­na­gens base­a­dos em pes­soas da his­tó­ria que lhe agrada, refe­rên­cia a cine­as­tas durante o filme.

Não fala­rei sobre o Brad Pitt, pois na minha opi­nião ele no filme faz o que quer, e como grande ator que é, uma boa e cari­cata atu­a­ção. Mas… vol­tando para o Taran­tino, sabe, ele não é do tipo con­ven­ci­o­nal, tam­bém não é do tipo fácil de enten­der, a arte dele tem seus com­ple­xi­da­des, o motivo para tanto apelo por ele é que, por vezes, agrada ao público em geral por moti­vos que não são exa­ta­mente pro­ve­ni­en­tes de sua geni­a­li­dade. Um filme cheio de sur­pre­sas (mas não daque­las de um filme de sus­pense, não), pro­ve­ni­en­tes do atre­vi­mento de um filme longo e atra­tivo, de humor escon­dido e satis­fa­ção momentânea.

Bas­tar­dos trata de um grupo de judeus que vem do EUA para a Europa atrás de vin­gança, isso durante a segunda guerra mun­dial; eles são temi­dos por pra­ti­car atro­ci­da­des con­tra ale­mães e aca­bam por unirem-se numa cons­pi­ra­ção con­tra o Alto Comando do Par­tido Nazista. O filme mos­tra em duas tra­mas para­le­las e tan­tas outras sub­tra­mas, que ao pas­sar do filme vão entrelaçando-se como per­so­na­gens podem ser reci­cla­dos, ele­va­dos e des­car­ta­dos sem o menor pudor. Isso além de inte­res­sante foto­gra­fia que se faz em cenas dis­tin­tas, algu­mas que pare­cem cli­pes, outras cinema clás­sico, até alcan­çar­mos ele… Taran­tino não é o oni­po­tente, posso dizer até que tem diver­sas tra­vas, torna-se limi­tado, mas há algo mais e é todo esse algo que ele pôs em Bas­tar­dos inglórios.


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