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[BABEL] (poema)

Decidi ir publi­cando alguns poe­mas do [des­vir­tual pro­vi­só­rio], reescrevendo-os. Esse poema é um dos que eu gosto do livro. Lem­bro de tê-lo escrito após assis­tir ao filme Babel. Embora goste dele até hoje, sem­pre me inco­mo­da­ram alguns ver­sos, como “Te vejo, mundo/ esma­gado na tela”, que me pare­ciam muito óbvios e line­a­res. Cada vez acre­dito que para um poema menos é mais. Segue a ver­são mais recente de [BABEL].

É tama­nha a solidão

ilha

E tu a meu lado

ilha

E tu a meu lado

É a lín­gua do silên­cio
a do meu tempo
É a sala de espera do vazio
o tempo

O mundo
tela esma­gada
Mundo
simul­tâ­neo
multiplicado

E tu a meu lado

ilha

E tu a meu lado
É tama­nha a solidão

ilha

É tama­nha a solidão

E essa torre
meu dia-a-dia
Essa torre
que somos, náufragos

Esse sonho
que aban­do­na­mos
esco­ti­lha
para outro sonho
roubado

E tu a meu lado

ilha

E tu a meu lado


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Vari­a­ções do tema do outsider

Sou uma paté­tica vari­a­ção do tema do out­si­der.

Cada vez mais per­cebo isso. Eu cir­culo por ambi­en­tes que não são meus, que não sou eu, em que não sou. Não é lamú­ria por ter ori­gem humilde: é a cons­ta­ta­ção de que o uni­verso a que per­tenço é tão mais trans­pa­rente do que esse pelo qual me arrasto como um pedinte. Otelo é Otelo não pelo ciúme a Des­dê­mona. É-o por­que é um out­si­der: des­per­tou a inveja e a fúria de Iago. Suporto com difi­cul­dade os salões pela neces­si­dade de alcan­çar cer­tos obje­ti­vos que cada vez mais pare­cem menos meus. Uma piada de mau gosto. Eu sou rude, não tenho esse fino trato, esse sor­riso que esconde fúrias. Se me enfu­reço, fecha-se a cara, pronto. Calar, calar, espe­rar, bai­xar a cabeça. Isso não é algo que aprendi com meu pai. Sou um estran­geiro. Quero-me de volta, mas parece que meu rosto está escon­dido em alguma gaveta. A um amigo que disse que escre­via um conto com um per­so­na­gem base­ado em mim, um con­se­lho: se não for uma vari­a­ção do tema do out­si­der, não serei eu. E não tem que ser, na ver­dade. Qual o sen­tido de tudo isso, para que tudo isso? Ouço con­ver­sas sobre via­gens à Europa, ten­dên­cias da lite­ra­tura, pro­je­tos, edi­tais. Can­sado. Can­sado de remar con­tra uma maré de imbe­cis. Can­sado de ser um imbe­cil que acre­dita que pode fazer alguma coisa. Um estran­geiro. Num labirinto.


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Sobre literatura e tartarugas

Recen­te­mente um amigo me pro­cu­rou pedindo ajuda com alguns tex­tos que estava escre­vendo. A ideia seria publi­car um livro de poe­mas. Pediu que lesse e sele­ci­o­nasse o que me agra­dava. Li e gos­tei de pouca coisa. Alguns poe­mas pode­riam ainda ser tra­ba­lha­dos, mas a grande mai­o­ria não pas­sava do cli­chê e da prosa em cavalgamento.

O amigo me per­gun­tou o que tinha achado. Disse, da maneira mais deli­cada que pude, que havia pouco ali que pudesse ir a livro. Ele per­gun­tou se podia ajudá-lo reco­men­dando tex­tos. Eu disse que a melhor coisa era apren­der lendo poe­tas, apren­der pelo exem­plo. Pediu auto­res. Reco­men­dei, pra come­çar, Eve­rardo Norões, que pra mim tem uma das qua­li­da­des que mais preso num poeta: a con­den­sa­ção de sig­ni­fi­cado em poe­mas cur­tos. Pes­soa me per­doe o sacri­lé­gio, mas mui­tos poe­mas de Álvaro de Cam­pos seriam mil vezes melho­res se mais curtos.

O amigo per­gun­tou se eu pode­ria fazer uma ‘tri­a­gem’ dos poe­mas que pode­riam ser publi­ca­dos numa edi­ção que ele que­ria que fosse bilín­gue. De minha parte, nunca per­mi­ti­ria a nin­guém sele­ci­o­nar poe­mas meus para um livro. No máximo, pedi­ria a opi­nião a ami­gos lei­to­res — como peço, aliás — para aju­dar a tra­çar o rumo que pen­sei para o livro em si. No final das con­tas, eu faria algo seme­lhante ao papel de um edi­tor. Eu disse que o pro­cesso de escre­ver um livro pode ser lento. Falei do tempo que demo­rei para cada um dos meus. Ele que­ria publi­car já. Per­gun­tei quanto tempo vinha tra­ba­lhando no livro. Disse que escre­veu, mas não tinha tra­ba­lhado sobre os poemas.

Foi aí que decidi escre­ver este post, por­que me veio uma per­gunta: por que meu amigo não con­se­guia notar que o que ele escre­via pre­ci­sava de muito tra­ba­lho para poder ser cha­mado de arte? Por que com lite­ra­tura é tão difí­cil ter essa percepção.

Um dos moti­vos que encon­trei em minhas refle­xões foi o fato de que, em lite­ra­tura, a lín­gua, que é nossa maté­ria prima, a prin­cí­pio é domi­nada por todos os pre­ten­den­tes a escri­tor. Digo a prin­cí­pio por­que a téc­nica lite­rá­ria não depende ape­nas do domí­nio das nor­mas gra­ma­ti­cais ou de um conhe­ci­mento lexi­cal amplo. Da mesma forma que, a cen­te­lha que dis­tin­gue um grande músico de todos os outros vai além do sim­ples domí­nio da teo­ria musi­cal ou da exe­cu­ção dos acor­des. Nesse ponto, uma coisa dis­tin­gue e muito a arte lite­rá­ria de outras cuja habi­li­dade em um deter­mi­nado ‘medium’ ajuda a per­ce­ber a fra­queza do artista. Alguém que ouve um mau gui­tar­rista o per­cebe no momento em que o infe­liz começa a tocar. A mesma coisa acon­tece quando um pin­tor sem habi­li­dade exibe sua obra, por­que cores satu­ra­das ou pin­ce­la­das tími­das ou impre­ci­sas são facil­mente iden­ti­fi­ca­das por um olhar crí­tico. Com artes cêni­cas e dança, a mesma coisa, muito embora o ‘medium’ seja o pró­prio corpo e a habi­li­dade ou a falta dela é mais uma vez per­cep­tí­vel na execução.Which way is the ocean?

Com a lite­ra­tura acon­tece — e aqui mais uma vez tomo o senso comum — o que acon­tece mui­tas vezes em minhas aulas de gra­má­tica: alu­nos que falam por­tu­guês há catorze anos têm uma certa resis­tên­cia ao reco­nhe­cer a auto­ri­dade de alguém que ensina essa a norma padrão dessa lín­gua. Quando lhes digo que o padrão para o verbo ‘mediar’ no pre­sente é ‘eu medeio’, nor­mal­mente a res­posta é uma careta ou resmungos.

Reto­mando o raci­o­cí­nio: as pes­soas ‘domi­nam’ a sua lín­gua e creem que, por isso só, podem escre­ver. Alguém sem habi­li­dade musi­cal que tenta tocar vio­lão, em algum momento, desis­tirá por­que não con­se­guirá extrair do ins­tru­mento as notas que tem na mente. Alguém como eu, que não sabe dan­çar, pedirá socorro depois de pisar o pé da par­ceira e des­co­brirá  -se ainda não sou­ber — que não nas­ceu para aquilo.

Mas quem diz a alguém que escreve mal que o cami­nho não é aquele? A pes­soa vai con­ti­nuar escre­vendo sem nenhum remorso, achando que está tudo bem, até encon­trar alguém sin­cero o sufi­ci­ente para dizer que não está legal. Ima­gino milha­res de pre­ten­den­tes a escri­to­res como tar­ta­ru­gui­nhas coxas na praia: se nin­guém dis­ser a elas que têm uma pata a menos, vão con­ti­nuar entrando no mar.

Mas aí vem a per­gunta: quem tem direito de impe­dir que as tar­ta­ru­gui­nhas ten­tem se aven­tu­rar no mar, mesmo com só três patas? É, con­tra isso não tenho argu­mento. É a beleza da vida e são os ris­cos da arte: o que a faz bela e peri­gosa é se expor diante do mar, igno­rando as chan­ces que temos de sobreviver.

Creative Commons License photo cre­dit: madame.furie


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Tabasco: pós-modernidade e mitologia

O novo livro de Lucila Nogueira, Tabasco, dá con­ti­nui­dade ao per­curso mito­ló­gico de sua poe­sia, per­cor­rido desde Alme­nara (1979) até Esto­colmo (2004), bem como igual­mente dá seqüên­cia às téc­ni­cas pós-modernas que vem uti­li­zando desde a entrada no milênio.

A impres­são que me chega ao ler o volume, escrito no México e edi­tado em 2009 pela Off Flip de Paraty, é que a autora per­ma­nece fiel a essa feliz tra­je­tó­ria da busca da poe­sia iden­ti­tá­ria, base­ada nos mitos, dessa vez meso­a­me­ri­ca­nos, ao tra­tar da cul­tura dos maias e olme­cas e do acon­te­ci­mento apo­ca­líp­tico de 21 de dezem­bro de 2012, quando, con­forme afir­mam as pro­fe­cias maias, o mundo terá seu fim:

Tabasco de pé/ ainda terei tempo de dan­çar em tuas plantações/ assim como somos hoje/ ele­trô­ni­cos e digitais/ ainda há tempo/ quem sabe sobreviveremos/ cada qual em sua Gai­ola de Faraday/ pro­te­gi­dos por fios do telhado até o subterrâneo/ e os eclip­ses per­ma­ne­ce­rão durante horas/ e cele­bra­re­mos a igno­rân­cia do fun­ci­o­na­mento do sol/ 2012/ o que sabiam os maias/ o que sabe­mos nós/ esta­mos atra­ves­sando um feixe de radiação/ Tabasco/ Atlân­tida berço das raças americanas/ renascerás?

(NOGUEIRA, 2009, p. 39)

A civi­li­za­ção maia foi uma cul­tura meso­a­me­ri­cana pré-colombiana, notá­vel por sua lín­gua escrita (único sis­tema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia repre­sen­tar com­ple­ta­mente o idi­oma falado no mesmo grau de efi­ci­ên­cia que o idi­oma escrito no velho mundo), pela sua arte, arqui­te­tura, mate­má­tica e sis­te­mas astronô­mi­cos. Ini­ci­al­mente esta­be­le­ci­das durante o Período pré-clássico (2000 a.C. a 250 d.C.), mui­tas cida­des maias atin­gi­ram o seu mais ele­vado estado de desen­vol­vi­mento durante o Período clás­sico (250 d.C. a 900 d.C.), con­ti­nu­ando a se desen­vol­ver durante todo o período pós-clássico, até a che­gada dos espa­nhóis. No seu auge, era uma das mais den­sa­mente povo­a­das e cul­tu­ral­mente dinâ­mi­cas soci­e­da­des do mundo.

Os maias divi­dem mui­tas carac­te­rís­ti­cas com outras civi­li­za­ções da Meso­a­mé­rica, devido ao alto grau de inte­ra­ção e difu­são cul­tu­ral que carac­te­riza a região. Hoje, os seus des­cen­den­tes for­mam popu­la­ções con­si­de­rá­veis em toda a área antiga (Hon­du­ras, Gua­te­mala, El Sal­va­dor) e man­tém um con­junto dis­tinto de tra­di­ções e cren­ças que são o resul­tado da fusão das ide­o­lo­gias pré-colombianas e pós-conquista. Assim como os aste­cas e os incas, os maias acre­di­ta­vam na con­ta­gem cíclica natu­ral do tempo. Os ritu­ais e cerimô­nias eram asso­ci­a­dos a ciclos ter­res­tres e celes­ti­ais que eram obser­va­dos e regis­tra­dos em calen­dá­rios sepa­ra­dos. Os sacer­do­tes maias tinham a tarefa de inter­pre­tar esses ciclos e fazer um pano­rama pro­fé­tico sobre o futuro ou pas­sado: a puri­fi­ca­ção incluía jejum, abs­ten­ção sexual e confissão,ela era nor­mal­mente pra­ti­cada antes de gran­des even­tos religiosos.

Segundo os maias, o nosso mundo ter­mi­nará no sábado, 21 de dezem­bro do ano 2012. Eles dizem que isso acon­tece a cada 5.125 anos. Que a terra se vê afe­tada pelas mudan­ças do sol medi­ante o des­lo­ca­mento do seu eixo de rota­ção. Pre­vi­ram que, a par­tir desse movi­mento, have­ria gran­des desas­tres. Os Maias asse­gu­ra­vam que a sua civi­li­za­ção era a 5ª ilu­mi­nada pelo sol (Kinich-Ahau), o 5° grande ciclo solar. Que antes haviam exis­tido outras qua­tro civi­li­za­ções que foram des­truí­das por gran­des desas­tres natu­rais. Acha­vam que cada civi­li­za­ção é ape­nas um degrau para ascen­são da cons­ci­ên­cia cole­tiva da huma­ni­dade. Para os maias, no ultimo desas­tre, a civi­li­za­ção teria sido des­truída por uma grande inun­da­ção, que dei­xou ape­nas alguns sobre­vi­ven­tes, dos quais eles eram seus des­cen­den­tes. Pen­sa­vam que, ao conhe­cer os finais des­ses ciclos, mui­tos huma­nos se pre­pa­ra­riam para o que vinha e que, gra­ças a isso, con­se­gui­riam con­ser­var sobre o pla­neta a espé­cie pen­sante, o seu humano.

O livro sagrado Maia, Chi­lam Balam, diz que, no 13° Ahau, no final do último Katún (2012), o Itza será arras­tado e rodará Tanka (…as civi­li­za­ções… cida­des serão des­truí­das); haverá um tempo em que esta­rão sumi­dos na escu­ri­dão e depois virão tra­zendo sinal futuro; a terra des­per­tará pelo norte e pelo poente, o Itza des­per­tará. Rein­ter­pre­tando essa pro­fe­cia, e olhando para os acon­te­ci­men­tos recen­tes da Era Tec­no­ló­gica, aque­ci­mento glo­bal e desu­ma­ni­za­ção da pós-modernidade, a poeta Lucila Nogueira exclama:

Meu povo sabe pre­ver o fenô­meno dos eclipses/ calen­dá­rio lunar de 260 dias/ meu povo sabe regis­trar o tempo desde o espaço de um dia até 64/ milhões de anos…

(NOGUEIRA, 2009, p. 26)

Do mate­ri­a­lismo à violência/ des­trui­ção dos recur­sos naturais/ des­flo­res­ta­mento e degra­da­ção ambiental/ efeito estufa/ polui­ção da água/ fome seca/ o retorno das doenças/ ele­va­ção do nível dos oceanos/ dimi­nui­ção das calo­tas polares/ redu­ção do Monte Quê­nia e do Kilimanjaro/ na Antár­tida e no Cáucaso/ onde antes só havia gelo/ começa a sur­gir vegetação/ delí­rio do consumo/ sis­tema financeiro/ o rumor do dinheiro de plás­tico em suas máquinas/ frá­geis a serem interrompidas/ pela sur­presa dos even­tos cósmicos

NOGUEIRA, 2009, p. 37)

Sou um reló­gio como Kuklucan/ uma pirâ­mide telepática/ em dire­ção ao sol/ eu vi a luz mon­tada no jaguar/ eu vi o raio no cen­tro da galáxia/ eu vi o eclipse que alte­rou a maté­ria humana/ eu vi o des­qui­lí­brio das estações/ e a des­trui­ção das colheitas/ eu vi a onda de calor que pro­vo­cou o des­ge­la­mento dos pólos/ eu vi o colapso elé­trico da rede informática/ por onde nave­gava o mundo virtual/ eu vi o cometa que trans­for­mou de modo vio­lento nosso planeta/ …/ eu vi a raça cósmica/ a festa cósmica/ a nova era da ter­ceira dimensão/ Chi­lam Balam/ Livro sagrado maia/ come­ça­mos a entrar no salão dos espelhos/ atra­ves­sando a tem­pes­tade solar/ o aque­ci­mento da atmosfera/ os microships param de funcionar/ a ener­gia elé­trica per­ma­nece durante a tempestade/ 2012 calen­dá­rio Maya her­deiro dos Olmecas/ 21 de dezem­bro de 1012.

(NOGUEIRA, 2009, p. 31.32)

Os olme­cas, de que trata Lucila Nogueira, foram o povo que esteve na ori­gem da cul­tura olmeca, pré-colombiana da Meso­a­mé­rica que se desen­vol­veu nas regiões tro­pi­cais do centro-sul do atual México durante o pré-clássico, apro­xi­ma­da­mente onde hoje se loca­li­zam os esta­dos mexi­ca­nos de Vera­cruz e Tabasco, no Istmo de Tehu­an­te­pec, numa zona desig­nada área nuclear olmeca. A cul­tura olmeca flo­res­ceu nesta região apro­xi­ma­da­mente entre 1500 e 400 a.C., e crê-se que tenha sido a civilização-mãe de todas as civi­li­za­ções meso­a­me­ri­ca­nas que se desen­vol­ve­ram pos­te­ri­or­mente.[2] No entanto, desconhece-se a sua exacta fili­a­ção étnica, ainda que exis­tam nume­ro­sas hipó­te­ses colo­ca­das para ten­tar resol­ver esta ques­tão (http://pt.wikipedia.org).

Assim, integrando-se com­ple­ta­mente à cul­tura daque­les povos meso-americanos, Lucila se define como terra de “sete hec­ta­res”, por onde passa o “jaguar”, ani­mal sagrado e enig­má­tico, à mar­gem de um “lago de crocodilos”:

(NOGUEIRA, 209, p. 13)

Mas Lucila tam­bém nos pre­sen­teia, em seu livro, com uma des­cri­ção poé­tica e pecu­liar da capi­tal do Estado  mexi­cano de Tabasco, que dá nome ao livro. Fala tam­bém das pai­sa­gens e hábi­tos dos habi­tan­tes da terra, com metá­fo­ras for­tes e cheias de ima­gens belís­si­mas, como a do jaguar:

Eu vi o garrobo/ marido da iguana/ eu vi os nenú­fa­res nos pân­ta­nos de Cemtla/ nave­guei entre os manglares/ entre as gar­ças tabasquenhas/ a jar­di­neira atra­ves­sou as ruas durante a noite/ eu can­tava can­ções de Bea­tles em português/ terra e águas de Tabasco/…/ Che­ga­rei em silên­cio a Villahermosa/ capi­tal da água e da selva/ atra­ves­sa­rei Usumacinta/ e bri­lhará ao sol meu corpo nu no encon­tro de rios de Cemtla/ cele­bra­rei entre as pal­mei­ras o mis­té­rio dos ado­ra­do­res do jaguar/ can­ta­rei o segredo dos Olme­cas em seu código divino

(NOGUEIRA, 2009, p. 11)

Ao se reco­nhe­cer como mulher maia, cheia de cola­res e pul­sei­ras colo­ri­das, que soube sedu­zir o con­quis­ta­dor e domina o dom das lín­guas, a poeta dá voz às mães e guer­rei­ras desse povo do jaguar, que sur­pre­en­deu os cien­tis­tas sécu­los depois de seu mis­te­ri­oso desaparecimento:

A minha más­cara é de jade e obsidiana/ minhas pul­sei­ras e cola­res são de âmbar/ a maior das divin­da­des repre­senta o meu corpo humano/ cami­nho de Cam­pe­che a Chiapas/ de Tabasco a Yucatan/…Não me chamo Malin­che nem Marina/ mas tam­bém tenho o dom das línguas/ que sedu­ziu o conquistador/ que um dia cho­rou amar­ga­mente a sua noite triste/ após des­truir está­tuas das divin­da­des que desa­fi­a­vam a reli­gião do invasor/ meu corpo não tinha cidadania/../ Levanto minha más­cara de jade/ minha más­cara de mosai­cos toda de jade/ em minha boca a pedra que sim­bo­liza a vida imortal/ meu colar é todo feito de ossos do jaguar/ o meu manto é de con­tas coloridas/ e eu uso os cara­cóis como trombetas/ para cha­mar desde o inframundo/ as figu­ras de carne e barro/ que se erguem das tum­bas até os san­tuá­rios de sacri­fí­cio da Gua­te­mala

(NOGUEIRA, 2009, p. 26.27–28)

O coti­di­ano lite­rá­rio pro­fis­si­o­nal de Lucila Nogueira, ali­ado à sua expe­ri­ên­cia de vida, vem refi­nando cada vez mais a sua poe­sia, deixando-a com resul­ta­dos mais agu­ça­dos para as pecu­li­a­ri­da­des cul­tu­rais dos povos latino-americanos. Vê-se que  a linha pós-moderna que abra­çou em dete­mi­na­dos livros pos­te­ri­o­res a Imilce (2000), que con­si­dero o mais belo livro escrito por ela,  nunca é  aban­do­nada, vol­tando a poeta, mesmo no uni­verso  das evo­ca­ções mito­ló­gi­cas, a abor­dar téc­ni­cas expe­ri­men­tais da con­tem­po­ra­nei­dade , como nota­da­mente em seus livros Refle­to­res (2002), Bas­ti­do­res (2002), Deses­pero Blue (2003), Esto­colmo(2004).Conforme afir­mei no ano pas­sado, na pas­sa­gem dos 30 anos de poe­sia da autora, em crô­nica lite­rá­ria no site de Wel­ling­ton de Melo, Lucila Nogueira, espe­ci­al­mente nas obras Imilce (2000) e Esto­colmo (2004) vai desen­vol­ver, com toda maes­tria, um poe­sia forte, mítica, com pro­fun­das raí­zes iden­ti­tá­rias. Incor­po­rando sua herança ibé­rica e o tem­pero da cul­tura bra­si­leira, vai enxer­tando, em sua obra, a mis­ci­ge­na­ção poé­tica de ele­men­tos de cul­tu­ras euro­péias, ciga­nas, cel­tas, cris­tãs e, evi­den­te­mente, bra­si­lei­ras. (…) Na pas­sa­gem dos 30 anos de car­reira poé­tica de Nogueira, fica para nós a obri­ga­ção de reve­ren­ciar auto­ras autên­ti­cas como ela, com uma obra ori­gi­nal, genuína, que não tem medo de cru­zar as fron­tei­ras de nosso país. Que incor­pora a força da iden­ti­dade ao desejo, traduzindo-os em ver­sos de pura magia e reve­la­ção, ver­da­deira frui­ção lite­rá­ria que res­vala num pra­zer esté­tico. Lucila Nogueira, cer­ta­mente, é uma des­sas auto­ras; cari­oca assu­mi­da­mente nor­des­tina, per­nam­bu­cana, bra­si­leira mas com os seus  pés no mundo inteiro.

Em Tabasco, mais uma vez Lucila Nogueira encon­tra nas iden­ti­da­des étni­cas latino-americanas a sua pró­pria, vestindo-se da bela ima­gem da mulher maia que sedu­ziu o con­quis­ta­dor espanhol.Também nós, seus lei­to­res e admi­ra­do­res, fomos sedu­zi­dos por ela, para ale­gria e deleite das futu­ras gera­ções que melhor se reco­nhe­ce­rão em seu con­texto de novo mundo pós-colonial atra­vés dos ver­sos pecu­li­ar­mente bem cons­truí­dos de Lucila Nogueira.

Olinda, 06 de abril de 2010

Bibli­o­gra­fia:

Tabasco. Nogueira, Lucila.Paraty, 2009,edições Off Flip.

Na Web :

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maias#Religi.C3.A3o

http://www.doismiledoze.com/a-primeira-profecia-maia.

http://pt.wikipedia.org.

http://wellingtondemelo.com.br/site/2009/09/lucila-nogueira-poesia-e-identidade-universais.

Con­sulta em: 06/04/2010)


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Jornalismo e literatura

Fun­da­ção de Cul­tura ofe­rece um espaço lite­rá­rio na cidade do Recife: o Porto das Letras, na sede da Gerên­cia Ope­ra­ci­o­nal de Lite­ra­tura e Edi­to­ra­ção, loca­li­zada na Av. Rio Branco, nº 76 A, no Bairro do Recife.

No dia 22 de Abril, às 17h, o Porto das Letras pro­mo­verá um debate sobre o diá­logo entre jor­na­lismo e lite­ra­tura com o jor­na­lista e crí­tico lite­rá­rio Cris­ti­ano Ramos, que foi dire­tor e apre­sen­ta­dor do pro­grama Opi­nião Per­nam­buco (TVU) e atu­al­mente desen­volve pes­quisa sobre o tema no pro­grama de pós-graduação em Letras da UFPE.

Jor­na­lismo é lite­ra­tura? O que é jor­na­lismo lite­rá­rio? Quais escri­to­res con­tem­po­râ­neos são influ­en­ci­a­dos pela lite­ra­tura? Como a mídia aborda o escri­tor e as obras lite­rá­rias? Estes e outros temas serão deba­ti­dos no encon­tro, medi­ado pelo jor­na­lista e crí­tico Edu­ardo Cesar Maia, que foi edi­tor da revista Con­ti­nente e é edi­tor da Revista Crispim.

Porto das Letras
Jor­na­lismo e Literatura

Quinta-feira | 22 de Abril de 2010 | 17h

Com Cris­ti­ano Ramos e Edu­ardo Cesar Maia

Gerên­cia Ope­ra­ci­o­nal de Lite­ra­tura e Edi­to­ra­ção — (GOLE) Av. Rio Branco, 76 A, Bairro do Recife. Con­ta­tos: 32322898 | 33553144 e-mail: gole@recife.pe.gov.br


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Crítica: Ilha do medo

O agente fede­ral Teddy Dani­els e seu par­ceiro, Chuck Aule, em sua pri­meira mis­são jun­tos, sur­gem em um car­gueiro em meio ao mar e a névoa. Des­tino: Shut­ter Island, uma ilha que abriga um hospital-prisão psi­quiá­trico e para onde são man­da­dos ape­nas casos de grave a gra­vís­si­mos. Mis­são: inves­ti­gar a fuga de uma detenta. Porém, os fun­ci­o­ná­rios, desde o dire­tor res­pon­sá­vel pela apli­ca­ção psi­quiá­trica, não pare­cem dis­pos­tos a coo­pe­rar. Tudo acres­cido das sus­pei­tas de Teddy, que con­fessa ao com­pa­nheiro ter vindo para a ilha após muito pes­qui­sar e cons­ta­tar que algo de obs­curo acon­te­cia ali.

O filme é um puro thril­ler, daque­les que real­mente cum­prem com sua fun­ção deter­mi­nada, não te tiram o olho da tela. Tra­ba­lha com o plano de fundo da Guerra Fria advinda recen­te­mente da Segunda Guerra Mun­dial. Tra­tando atra­vés de cla­ras recor­da­ções da mente de Teddy sobre a guerra e os acon­te­ci­men­tos, seguindo atra­vés alu­ci­na­ções trau­má­ti­cas, nas quais o dete­tive tem con­tato com sua mulher, fale­cida, segundo consta, em um incên­dio pro­vo­cado por um tal Andrew Laed­dis, quem o dete­tive afirma ter sido man­dado para Shut­ter Island depois de outro inci­dente incendiário.

A trama do thril­ler é sur­pre­en­dente e crô­nica, per­mi­tindo àque­les espec­ta­do­res tece­do­res de supo­si­ções e inves­ti­ga­do­res um tipo de orgasmo cine­ma­to­grá­fico. Tal­vez esse tipo de filme prove que séries qual CSI, por mais ela­bo­ra­das que sejam, são meras coad­ju­van­tes de fil­mes B, pois jamais serão capa­zes (pois se o fizes­sem, não seriam assis­ti­das de forma seri­ada) de sus­ten­tar o thril­ler, a inves­ti­ga­ção e a den­si­dade a que se é exposto no cinema.

um tipo de orgasmo cinematográfico”

E se citei os fil­mes B*, o Scor­sese não os esque­ceu, o tom ter­ror puro e o toque de câmera chi­cote estão lá, pelas mãos desse dire­tor genial que traça diver­sos gêne­ros e for­mas de mos­trar e guiar o público. Leva-nos atra­vés de um cami­nho de dúvi­das, con­tes­tando de forma kaf­ki­ana o louco e a soci­e­dade. Mas nada disso se com­para ao des­fe­cho, que não enver­go­nha o até o momento visto.

DiCa­prio mais uma vez vem pro­var que não é só um ros­ti­nho bonito, que não é um Zac Efron ou um Tay­lor Laut­ner da vida (se você não os conhece, não está per­dendo nada, nem tempo). Ele atua de forma coe­rente, numa mes­cla bem feita com o dire­tor e suas inten­ções, abri­lhan­tando o thril­ler, per­mi­tindo o ter­ror dra­má­tico, aumen­tando as dúvi­das que vão sur­gindo a cada momento que passa, com cada per­so­na­gem que entra em meio a his­tó­ria (com­pa­rando com séries mais uma vez: um Lost tenso e denso).

Essas dúvi­das que per­meiam as nos­sas men­tes inves­ti­ga­ti­vas e emo­ci­o­nais durante o trans­cor­rer da his­tó­ria, com a bela foto­gra­fia de Robert Richard­son (de Pla­toon e do que lhe deu o Oscar, O avi­a­dor) e a vasta e, não me vem outra pala­vra, mag­ní­fica tri­lha sonora que vai de Dinah Washing­ton até Music for Mar­cel Duchamp de John Cage, nos per­mi­tindo viver mais inten­sa­mente a Ilha do medo.

assista Ilha do medo (mais de uma vez)”

Fechando com uma atu­a­ção real­mente exi­gente de aplau­sos de Ben Kings­ley, como o Dr. John Cawley, o psi­qui­a­tra, num per­so­na­gem bem arqui­te­tado, ver­sá­til à fun­ção a que lhe for atri­buída. E um roteiro impe­cá­vel, ao menos ao meu ver. Assista Ilha do medo mais de uma vez, apre­cie os deta­lhes após de conhe­cer o des­fe­cho, inter­li­gue os pon­tos, eis que esse seria meu voto para Melhor Roteiro Adap­tado no Oscar. Trata-se de uma obra genial. E tai minha sin­cera dica: assista Ilha do medo (mais de uma vez).

*Aque­les que assis­tem mais cinema, dados aos clás­si­cos com Jesse James ou Durango Kid, o faro­este clás­sico, assim como os fil­mes de gangs­te­res e de hor­ror (esse último tem um joga­dor de peso inclu­sive, Ed Wood, decla­rado o pior cine­asta do mundo, sendo home­na­ge­ado por Tim Bur­ton e inter­pre­tado por Johnny Depp em um filme que leva o seu nome e é datado de 1994). Essa pro­du­ções eram fei­tas na Gower Street, em Hollywood, com orça­men­tos rela­ti­va­mente muito baixo e em pro­du­ções que gra­va­vam uma hora e se con­cluíam em dois dias. Abrindo um parên­tese: esse jeito de pro­du­zir pode ser visto muito hoje na grande mai­o­ria das pro­du­ções, diante dessa inde­pen­dên­cia do audi­o­vi­sual, vê-se bem isso cá em Per­nam­buco, onde vivo, e o nome que pode ser dado a isso não é fil­mes B, tal­vez fil­mes C, se não hou­ver outro clas­si­fi­ca­dor para o posto, mas isso é pro­ve­ni­ente do puro des­caso, provendo-nos uma arte vazia e idi­ota, se é que a arte pode ser isso, se é que dá para cha­mar, o que fazem alguns, de arte.

**Veja o trailer


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Leve — espetáculo de dança

Com Maria Agrelli e Renata Muniz. Tri­lha sonora ori­gi­nal de Isaar. No Cen­tro Cul­tu­ral dos Cor­reios, entre os dias 25 e 27 de março, 18h. A entrada custa R$ 5,00


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Crítica: O livro de Eli

Tudo come­çou quando eu que­ria assis­tir a meu filme sagrado das segun­das a tarde (quando o preço do ingresso chega a três reais) e não sabia o que ver. Olhei aten­ta­mente a lista de fil­mes e, ou eu já tinha assis­tido (até mais de uma vez) ao filme, ou não me pare­cia tão inte­res­sante assim. O livro de Eli era um des­ses. Olhei para cara o Den­zel Washing­ton (que ora acerta o alvo, porém nor­mal­mente erra, ou melhor acerta num poli­cial super­fi­cial) e nem repa­rei o Gary Old­man. Foi quando recebi um e-mail de Wel­ling­ton: “Assis­tiste? Que achaste?”. Res­pondi: “Vou assis­tir segunda no Plaza”. E assim foi.

Eli (Washing­ton) é um homem com um obje­tivo: che­gar a certo lugar no oeste – cuja ver­da­deira loca­li­za­ção nem ele sabe. A via­gem dele come­çou trinta anos antes dos acon­te­ci­dos na tela, quando algum tempo após a guerra e o grande cla­rão (quando a atmos­fera foi des­vir­gi­nada e para o sol não havia mais pro­te­tor solar) Eli saiu de algum lugar sub­ter­râ­neo, onde estava, e, andando pelo mundo devas­tado, ouviu uma voz que o guiou a um livro que deve­ria ser levado para o oeste.

Depois de mos­trar ao espec­ta­dor que Eli é bom de briga (mas não é bon­zi­nho não, é bom tipo muito), mostra-se tam­bém que ele não é o tipo jus­ti­ceiro fodás­tico, ao dei­xar pas­sar um estu­pro sem fazer nada. Mas sua cami­nhada muda o ritmo ao che­gar a uma cida­dela à lá faro­este, onde quem manda é Car­ne­gie (Old­man). Ele vive atrás de um livro espe­cí­fico, que segundo ele lhe daria pode­res para domi­nar os deses­pe­ra­dos, avan­çando seus limi­tes ter­ri­to­ri­ais imensamente.

Sem que­rer pare­cer spoi­ler, mas esse livro é a Bíblia Sagrada. E se não fosse pelo tra­çado argu­men­tá­rio daí em diante, o filme não pas­sa­ria de uma mis­tura Western-Sci-fi, que alguns menos pro­fun­dos tra­ta­riam como uma repro­du­ção de Mad Max.

O filme com­pleta o obje­tivo crí­tico do cinema. Não é como os demais fil­mes pós-apocalípticos que expli­cam tudo tim-tim-por-tim-tim por, na ver­dade, não terem lugar nenhum a che­gar. Há diver­sas mar­cas de des­trui­ção, mas pouco se sabe a res­peito, o dis­curso é tocado para o futuro, dei­xando a cargo de nós, espec­ta­do­res, con­clu­sões. Então fica-se a dúvida: acon­te­ceu uma guerra, mas por que? Será que foi uma guerra santa – e por­tanto esse fora o motivo para terem des­truído todas as cópias da bíblia?

Mas o debate é mais pleno ao que diz res­peito a Bíblia, fé e poder. Pois não é tão dis­tante de nós. O Eli quer aquele livro de pala­vras pode­ro­sas para levá-lo a um lugar onde sua fé manda, com fins, ao que se parece, altruísta, ou melhor, de fé. Já o Car­ne­gie (que no iní­cio do filme está a ler a auto­bi­o­gra­fia do Mus­so­lini, acho – tal­vez La mia vita), conhe­ce­dor do poder das pala­vras daquele livro e per­ce­bendo aque­les que se uti­li­za­vam daquele livro antes do apo­ca­lipse, seu poder, seus des­man­dos, sua falta de fé, ou esta detur­pada, como a dele – pois sabe da força, mas a trata para fins egoís­tas –, ape­nas o quer para domi­nar e ter poder.

O filme tam­bém traz uma foto­gra­fia azu­lada muito inte­res­sante – nada de ino­va­dor –, mas per­mite sen­tir tudo mais deserto, frio, dis­tante. Além de tri­lha bem legal – che­gando a ter seu momento cômico, para ali­viar um pouco a ten­são – quando uma senhora põe numa radi­ola Ring my Bell (Anita Ward). Mas sente-se que cer­tas par­tes do roteiro dei­xam a dese­jar, flo­res­cendo a sen­sa­ção de pouco apro­vei­ta­mento de uma boa his­tó­ria e bons recur­sos financeiros.

Os irmãos Allen e Albert Hughes (além do pro­jeto NY, I love you) vêm de From hell (2001), um filme inte­res­sante e com pon­tos bem acer­ta­dos, com Johnny Depp pro­ta­go­ni­zando. Acer­ta­ram, nova­mente, em diver­sos pon­tos, tanto no con­du­zir da his­tó­ria, como em inter­tex­tos com os Wes­terns; já vi umas três pes­soas arris­cando que daqui a alguns anos esse filme será um Cult, então serei a quarta: esse será um Cult cul­tu­ral para inter­tex­tos futu­ros em debates.

A atu­a­ção do Washing­ton é nor­mal e sem res­sal­vas, faz parte das pági­nas do filme como for­mando um bom con­junto – tal­vez valha admi­rar uma qua­li­dade dele nas cenas de ação, afi­nal são sem cor­tes. Já o Gary Old­man fan­tás­tico, num vilão daque­les no qual o estudo do per­so­na­gem é visí­vel. Ele tran­sa­ci­ona os sen­ti­men­tos no decor­rer do texto de uma forma real­mente bela, bem feita e digna de ser ovacionado.

Por fim, o fim. O des­fe­cho do filme, na opi­nião deste que vos escreve, é sim­ples­mente sublime. Não posso dizer mais, pois tem de ser uma crí­tica meio furada – mas, afi­nal, tam­bém não posso seguir isso para um ensaio. Vale a pena assis­tir. O livro de Eli (The book of Eli) não trata-se de uma dis­cus­são pro­funda dos temas, mas, sim, de um retrato do hoje dis­far­çado de um ama­nhã tene­broso; e nes­tes tem­pos cujo ir a fundo, o debate e o ques­ti­o­na­mento são mal­vis­tos, um bom retrato trans­gres­sor não cai mal.

*Veja o trailer


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[BABEL] (poema)

Nova versão do poema, publicado em [desvirtual provisório].
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