Biografia

Como ele mesmo se define, “poeta por necessidade, professor por paixão e crítico da vida por insistência”, Wellington de Melo tem uma produção artística que envolve a literatura, a música e as artes plásticas, mas sempre desenvolvida em torno a algum conceito norteador.

De origem humilde, interessou-se desde jovem pela arte em suas mais diversas expressões. Considera-se em essência um self-made-man: na adolescência, enquanto trabalhava no comércio do centro do Recife para ajudar a família, levava emprestados da Biblioteca do SESC os livros dos autores que mais tarde influenciariam fortemente sua obra – García Márquez, Dostoiévski, Kafka, Sartre, Camus e Kundera.

“Eu devorava estes livros durante o horário do almoço, entre as enormes caixas do estoque da loja de minha tia. Acho que li ‘O estrangeiro’ em menos de uma semana”,

Sua primeira expressão artística, no entanto, foi a pintura. Participou de diversas exposições coletivas com obras em óleo e acrílica. Até hoje tem o hábito de pintar um quadro por ano, normalmente associado a uma de suas séries (Cheiro & Forma, Paisagem Urbana e A Máquina).

Em busca de novas maneiras de expressão, participou de um projeto musical nos anos 90, o Serialnumber, juntamente com Juliana Emerenciano, Marcos Tadeu e Ênio.

“As músicas que produzimos nesta época tinham um caráter conceitual muito forte. Acho que mais ou menos ali comecei a pensar cada obra como parte e um todo estético. Talvez tenha sido também o primeiro momento em que comecei a refletir sobre a M@quina”.

Wellington de Melo como baixista da Serialnumber O conceito da “M@quina” efetivamente reapareceria na obra de Wellington de Melo mais tarde, já na época de universitário, mas desta vez através da literatura. Entre as leituras desta época que influenciariam filosoficamente Wellington de Melo a delinear a “M@quina”, destacam-se Baudrillard, Adorno, Bachelard e Nietzsche. Também nesta época aproxima-se o artista das obras de Osman Lins, Borges, Cabral,  Terêza Tenório, Gullar e Rilke, que influenciam sua ficção e poesia. Conhece também as poetisas Lucila Nogueira e Maria do Carmo Barreto Campello de Melo, que Wellington de Melo considera duas grandes mentoras na arte e na vida.

Sobre a “M@quina”, conceito que o próprio artista considera “em desenvolvimento e provavelmente em eterna construção”, tece alguns comentários: “Não considero que a “M@quina” se contrapõe completamente ao homem, não são dicotômicos. Minha luta contra a ela não significa, ao contrário do que possa parecer, a defesa do homem. Sou pessimista quanto ao seu destino, mas tampouco chego ao niilismo. A “M@quina” nos faz menos humanos, nos afasta de nossa natureza. Mas quanto de nossa natureza humana também nos faz monstros. Até que ponto a “M@quina” nos destrói ou anula o mal que somos?”

Há anos Wellington de Melo se dedica ao ensino, que para ele também é uma arte. Seja nas salas de aula, diante de uma tela ou de uma folha de papel em branco, Wellington vê sempre uma oportunidade de transformar, se não o mundo, a visão que se pode ter dele através da sua reescritura, através da arte.

Seus projetos atuais incluem uma incursão na ficção com a longa narrativa “Estrangeiro no labirinto”, que recusa chamar de romance, e o livro de contos “Espaços vegetais e outros contos”. Além disto, tem em fase de conclusão seu projeto “O peso do medo, 30 poemas em fúria”, usando o suporte de cordel para criar edições limitadas do livro (em 3 volumes com 10 poemas cada), alteradas à medida em que o autor realiza leituras públicas do livro.

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