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Fotografia (poema)

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Colin Shanks
agora quando a fúria já se faz ausên­cia volto ao ofí­cio de apagar-me ser só som­bra dis­si­par len­ta­mente toda von­tade grudar-me enfim ao frio inau­gu­ral das pare­des da casa verter-me em silên­cio assu­mir sem culpa o abismo deixar-me cap­tu­rar pelo ins­tan­tâ­neo oblí­quo da kodak acorrentar-me outra vez ao sótão ao sofá ao con­trole remoto à remota soli­dão da alcova ama­nhe­cer cada dia na mes­mís­sima cama calar calar calar e ser feliz eter­na­mente feliz foto­gra­fia ama­rela em velho álbum de família

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