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O ventríloquo (poema)

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A Delmo Montenegro

parir pala­vras mor­tas é o barato dessa nossa nova bossa o dia enve­ne­nado e a tarde uma amante velha que se aban­dona meni­nos pas­seiam feli­zes acor­ren­ta­dos a holo­fo­tes no tea­tro os bone­cos lamen­tam à meia luz a voz que nunca tive­ram mas seria o afã dos bone­cos mais ater­ra­dor que o pânico sólido do ven­trí­lo­quo que esma­gado pelo desejo das mari­o­ne­tes esque­ceu em alguma gaveta a sua voz primeira

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2 comments

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  1. Pre­ciso dizer que estou arrepiada?

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