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Carolina Calvo-Pérez

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[tra­du­ção de Flo­ri­ano Martins]

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COMPAÑÍA REMOTA

Som­bras que sin ti
cami­nan conmigo.

Ecos del ayer
gol­pean desa­fi­an­tes las nue­vas huellas.

Su pre­sen­cia pen­du­lar en el aquí y en el allá
– en el allá y en este aquí sin ti–
acalla todo intento de pala­bra naci­ente,
des­di­buja con pin­ce­la­dos recu­er­dos
bocas que qui­e­ren ser una.

Siem­pre así, osci­lante,
tu ausen­cia se der­rama como lágrima con­te­nida
sobre inex­plo­ra­das for­mas que qui­si­era besar…
pero nunca puedo.

Impi­den tus som­bras
…siem­pre así, osci­lan­tes,
mi trán­sito por cami­nos luminosos.

Seguiré enton­ces per­ma­ne­ci­endo a tu lado sin ti
hasta que el mismo sol, com­pa­sivo,
baje y queme sin herirme
la oscura pre­sen­cia de tu ser en mi ser.

COMPANHIA REMOTA

Som­bras que sem ti
cami­nham comigo.

Ecos de ontem
gol­peiam desa­fi­an­tes as novas marcas.

Sua pre­sença pen­du­lar aqui e ali
– ali e neste aqui sem ti –
des­faz com pin­ce­la­das lem­bran­ças
bocas que que­rem ser uma.

Sem­pre assim, osci­lante,
tua ausên­cia se der­rama como lágrima con­tida
sobre inex­plo­ra­das for­mas que qui­sera bei­jar…
porém nunca posso.

Tuas som­bras impe­dem
…sem­pre assim, osci­lan­tes,
meu trân­sito por cami­nhos luminosos.

Segui­rei então per­ma­ne­cendo a teu lado sem ti
até que o pró­prio sol, com­pas­sivo,
desça e queime sem ferir-me
a escura pre­sença de teu ser em meu ser.

LEJANÍA

Tras la remota con­tem­pla­ción
de tu son­risa en el fir­ma­mento,
sólo me resta
reor­de­nar las estrel­las
y seguir viviendo.

DISTÂNCIA

Após a remota con­tem­pla­ção
de teu sor­riso no fir­ma­mento,
ape­nas me resta
reor­de­nar as estre­las
e seguir vivendo.

AUTORRETRATO SIN 

Tal es la ausen­cia
de mí esta noche,
que me con­formo
con lo que
éstos ver­sos
pue­dan decir
de lo que soy.
Punto.

AUTO-RETRATO SEM MIM

Tal é a ausên­cia
de mim esta noite,
que me con­formo
com o que
estes ver­sos
pos­sam dizer
do que sou.
Ponto.

PUNTO MUERTO

Este ir sin mi,
este recor­rido pen­du­lar
entre el sus­piro y el silen­cio
¿Acaso es por repen­ti­nos tro­pi­e­zos
con el polvo enra­re­cido del ayer?

¿Acaso enve­jecí antes de tiempo
y fue­ron inú­ti­les los inten­tos
de bor­rar las líneas de mis manos?

No lo sé.

Sólo miro por la ven­ta­nilla del bus
las cal­les, semá­fo­ros, casas
y todo me es ajeno.

Recor­re­mos sin sen­tido los cami­nos
sin noso­tros
sin los otros,
siem­pre son mira­das pasa­je­ras
las que se posan sobre quien duerme en el asfalto.

PONTO MORTO

Este ir sem mim,
este per­curso pen­du­lar
entre o sus­piro e o silên­cio
acaso é por repen­ti­nos tro­pe­ços
com o pó rarís­simo de ontem?

Acaso enve­lheci antes do tempo
e foram inú­teis as ten­ta­ti­vas
de apa­gar as linhas de minhas mãos?

Não sei.

Ape­nas vejo pela jane­li­nha do ônibus
as ruas, semá­fo­ros, casas
e tudo me é alheio.

Per­cor­re­mos sem sen­tido os cami­nhos
sem nós,
sem os outros,
sem­pre são olha­res pas­sa­gei­ros
os que pou­sam sobre quem dorme no asfalto.

LLUVIA

Estos obje­tos que no esca­pan del dila­tado sus­piro
obser­van sigi­lo­sa­mente mis movi­mi­en­tos,
ante ellos
llo­vió esta tarde

No fue una llu­via sim­ple. No.
Del ayer vino.

Azotó mi ros­tro con una danza
que atur­dió mi alma
e inmo­vi­lizó mis pasos
sobre la cabeza de las piedras.

Socavó mi piel
con sus finos hilos con­tun­den­tes
y abrazó mis hue­sos con ansías de calor.

Quise tam­bién abra­zarla toda
curar su tris­teza
bajo un manto de pala­bras
resis­ten­tes al agua de llu­via triste.

Pero las voca­les necias
se aho­ga­ron en su grito,
mis manos abra­za­ron mi espalda
y las pie­dras abri­e­ron su coraza
para calen­tar mi cuerpo
con un calor escondido.

Allí com­prendí
que era yo
la llu­via triste
y que son estos obser­va­do­res
mi eterno invi­erno de diciembre.

CHUVA

Estes obje­tos que não esca­pam do dila­tado sus­piro
obser­vam sigi­lo­sa­mente meus movi­men­tos,
diante deles
cho­veu esta tarde.

Não foi uma chuva sim­ples. Não.
Veio de ontem.

Açoi­tou meu rosto com uma dança
que atur­diu minha alma
e imo­bi­li­zou meus pas­sos
sobre a cabeça das pedras.

Esca­vou minha pele
com seus finos fios con­tun­den­tes
e abra­çou meus ossos com ânsias de calor.

Quis tam­bém abraçá-la toda
curar sua tris­teza
sob um manto de pala­vras
resis­ten­tes à água de chuva triste.

Porém as vogais impru­den­tes
se afo­ga­ram em seu grito,
minhas mãos abra­ça­ram meu dorso
e as pedras abri­ram sua cou­raça
para esquentar-me o corpo
com um calor oculto.

Ali com­pre­endi
que a chuva triste
era eu
e que estes obser­va­do­res são
meu eterno inverno de dezembro.

SIN ALCOHOL

Mala elec­ción
pedir coc­tel de estrel­las muer­tas
en esta noche sin luz

El hielo de mi vaso no se der­rite
y la vela de la mesa se extin­gue
sin que sacie mi sed

Silente,
obser­vas desde la otra orilla
la fría leve­dad del trozo trans­pa­rente, sólido,
flota como tus pasos
sobre rui­nas de papel.

SEM ÁLCOOL

Pés­sima esco­lha
pedir coque­tel de estre­las mor­tas
neste noite sem luz

O gelo de meu copo não der­rete
e a vela da mesa se extin­gue
sem saciar minha sede

Silen­ci­oso,
obser­vas da outra mar­gem
a fria leveza do pedaço trans­pa­rente, sólido,
flu­tua como teus pas­sos
sobre ruí­nas de papel.

ECO

Grité olvido al eco
para que retor­nara
el sonido de paz per­dida…
para que regre­sara sin Él.

Y nítido oí tu nombre.

ECO

Gri­tei esque­ci­mento ao eco
para que retor­nasse
o som de paz per­dida…
para que regres­sasse sem Ele.

E nítido escu­tei teu nome.

CLAVANDO CLAVOS

Sigo allí en esa pared
espe­rando que un clavo para retrato nuevo
per­fore mi frente,
san­gre tu nom­bre por la herida
y des­pi­erte pen­sando
que sólo fue un inqui­e­tante dolor de cabeza.

Sin embargo,
la casa se cae a pedazos.

Por misión,
ori­fi­cios en cada muro
bus­can inú­til­mente aquel lugar
dónde sonám­bu­las levi­tan tus palabras.

Ojalá no sea otro clavo
el que des­poje a mis poe­mas
de tu som­bra,
no qui­ero bar­rer
las rui­nas per­fo­ra­das de mi poesía

CRAVANDO CRAVOS

Sigo ali nessa parede
espe­rando que um cravo para retrato novo
per­fure minha fronte,
san­gre teu nome pela ferida
e des­perte pen­sando
que foi ape­nas uma inqui­e­tante dor de cabeça.

No entanto,
a casa cai aos pedaços.

Por mis­são,
ori­fí­cios em cada muro
bus­cam inu­til­mente aquele lugar
onde sonâm­bu­las levi­tam as tuas palavras.

Qui­sera não fosse outro cravo
a des­po­jar meus poe­mas
de tua som­bra,
não quero var­rer
as ruí­nas per­fu­ra­das de minha poesia.

CÁRCEL

Tur­bia es la mañana,
la tarde,
la noche.

Vela­das siem­pre las horas mien­tras duer­mes
y no me dejas esca­par de tu sueño.

Des­pi­erta ya,
¡Qué se acabe la pesadilla!

CÁRCERE

Turva é a manhã,
a tarde,
a noite.

Vela­das sem­pre as horas enquanto dor­mes
e não me dei­xas esca­par de teu sonho.

Des­perta já,
que tenha fim o pesadelo!

Caro­lina Calvo-Pérez (Bogotá, Colom­bia, 1988). Poeta, iné­dita em livro. Inte­gra a ofi­cina de cri­a­ção poé­tica da Uni­ver­si­dade Peda­gó­gica Naci­o­nal, cole­tivo que dirige o jor­nal Alda­bón, publi­ca­ção com des­ta­que para as novas vozes da poe­sia colom­bi­ana, incluindo a poe­sia étnica de dife­ren­tes nações indí­ge­nas. Par­ti­ci­pou do Fes­ti­val Inter­na­ci­o­nal de Poe­sia de Bogotá e do Fes­ti­val Inter­na­ci­o­nal da Cul­tura, em Tunja. Neste último evento acom­pa­nhou o poeta bra­si­leiro Flo­ri­ano Mar­tins em uma lei­tura de poe­mas incluindo vídeo, música e foto­gra­fia. Par­ti­cipa ainda do grupo de pes­quisa Merawi, cuja linha de tra­ba­lho é a inter­cul­tu­ra­li­dade e seu reco­nhe­ci­mento em espa­ços edu­ca­ti­vos. Poe­mas tra­du­zi­dos por Flo­ri­ano Martins.

Con­tato com a poeta: ccp_1220@yahoo.com.

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1 comment

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  1. Sachiko Shinozaki

    MUITO BOA, PALAVRAS TÃO SIMPLES E QUE DIZEM TANTOSABE QUANDO A GENTE PENSA: PORQUE NÃO ESCREVI ISSO?

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