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Os primeiros nem sempre são os primeiros

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Nós bur­gue­ses temos uma estra­nha mania de que­rer che­gar pri­meiro em tudo: da fila do caixa ao pró­ximo semá­foro. Assim o é com os pais que ano a ano matri­cu­lam seus filhos nos colé­gios que con­se­guem os pri­mei­ros luga­res nos ves­ti­bu­la­res. No final do ano, diga-se de pas­sa­gem, multiplicam-se nas tevês  os anún­cios de esco­las em que, sor­ri­den­tes, futu­ros uni­ver­si­tá­rios ven­dem o colé­gio em que estu­da­ram para os futu­ros con­su­mi­do­res. Seu sor­riso, no entanto, não quer dizer que são seres huma­nos dota­dos de mais huma­ni­dade que qual­quer outro. Ape­nas foram pri­meiro lugar em algum curso. Por que será que esses pri­mei­ros luga­res não são, anos mais tarde, aque­les que sem­pre apa­re­cem como des­ta­que nas mais diver­sas áreas? Será que ser o pri­meiro no ves­ti­bu­lar é ates­tado para um exce­lente médico, advo­gado, jor­na­lista, admi­nis­tra­dor, desig­ner? Acho que não. Há muito mais além disto. Mas insis­ti­mos em bus­car “o pri­meiro lugar”.

Em tempo: não lem­bro de ver esco­las divul­gando seu número total de apro­va­ções. Quan­tos, entre os 300 alu­nos des­sas esco­las pas­sa­ram no cruel pro­cesso de sele­ti­vi­dade do ves­ti­bu­lar? O pri­meiro lugar que fez a publi­ci­dade e mais uns dez? Isso é ates­tado de for­ma­ção de um cida­dão pleno? Duvido.

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